Os aleluias que festejaram a saída de Silvio Berlusconi do palácio do governo, em Roma, não têm nada de glorioso para ele. Ao contrário do aforismo americano, o que é bom para a Itália não é bom para Berlusconi. Ele dominou os últimos 17 anos da política transalpina, ganhou três eleições, governou quase dez anos, vergastou o país com escândalos, mas o crescimento económico foi zero.
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Em termos políticos está descredibilizado. Revelou-se incapaz de implementar a mínima das medidas, que jurava cumprir, aos outros membros do Conselho Europeu. Saiu corrido pela alta finança que os manifestantes de rua diziam que ele representava. A história reserva-lhe uma nota negativa, embora se tivesse imposto como empresário de talento e hábil manobrador, a crise financeira abateu-o como político e cortou--lhe metade da fortuna de há cinco anos.
Em 2006, na lista dos bilionários da revista ‘Forbes' era o 37º do mundo com 8,14 mil milhões de euros. O império assente na Fininvest e na Medisset, com participações no imobiliário, TV, imprensa e publicidade conheceu um grande tombo. A contabilidade da ‘Forbes' atribui-lhe actualmente um património de 4,59 mil milhões de euros (118º do mundo). Só na bolsa, as empresas de Berlusconi caíram mais de 1,1 mil milhões de euros e adivinha-se que, com a perda do poder, os negócios na publicidade não sejam tão reluzentes.
Muito do dinheiro de ‘Il Cavaliere' voou também nas festas ‘bunga bunga'. A fama de mulherengo, que antes dourava a sua auréola, tornou-se pesadelo. Só o escândalo ‘Ruby', a menor que tirou abusivamente da cadeia, custou uns 10 milhões. E há a acrescentar os prejuízos dos processos por incitação à prostituição de menores a correr em Bari e Milão.
Na justiça, e após todo o arsenal legislativo que criou para se proteger, estão pendentes um processo de corrupção por falsas declarações em tribunal do seu advogado inglês David Mills, e outro de fuga ao fisco por sobrefacturação em direitos TV. À partida mantém a imunidade como deputado. Mas a política dá voltas.
PEQUENO PARTIDO PARA 'MATAR VÍCIO'
A forma como foi despachado do poder, pelo presidente da república Giorgio Napolitano - um diplomático comunista que nos anos 70 também pôs à margem Álvaro Cunhal em Portugal - deve custar a Silvio Berlusconi mais do que as agressões de militantes do PCI que aos 11 anos o tornaram anti-comunista. Na altura foi impedido de colar cartazes. Agora, tratou-se de acabar com o espectáculo de descredibilização que fazia rir Merkel e Sarkozy.
Um político como Silvio Berlusconi não sai facilmente de cena, mesmo aos 75 anos. O politólogo Gianfranco Pasquino, discípulo de Norberto Bobbio e professor de Ciências Políticas na Universidade de Bolonha, considera que, sem hipóteses de criar um novo partido de poder como o Forza Italia e o Polo das Liberdades, deverá optar por uma formação que o mantenha deputado e proteja dos juízes. Será, como diz , para "matar o vício que a presidência do Milan nunca satisfará", até porque já a exercia antes de se tornar político.
MEDO TERRÍVEL DE ACABAR A VIDA COMO CRAXI
"Eu não acabarei como Craxi", tem repetido com juras Silvio Berlusconi, desde que em 2000 o seu amigo e antigo líder socialista e primeiro-ministro Bettino Craxi faleceu na Tunísia, onde se refugiara, acusado e condenado à revelia por corrupção. Perante acusações semelhantes, Berlusconi preocupou-se em criar protecções legislativas a seu favor e manteve uma intensa cruzada contra os magistrados.
O 'TOP-SEXY' DA POLÍTICA MUNDIAL
O ‘top' mundial que mais distingue membros dos governos de Berlusconi é o ‘World Hottest Politicians', da revista ‘Maxim's'. A n.º 1 é Mara Carfagna, de 35 anos, antiga modelo ‘topless' que desde 2008 foi ministra da Igualdade de Oportunidades. Na política, porém, as rainhas são Maria Vittoria Brambilha (Foto 1) e Nicole Minetti (2). A primeira, empresária de 44 anos, marcou a campanha 2008 e ficou com o Ministério do Turismo. Minetti, 25 anos, é conselheira regional da Lombardia e ‘madame' das festas ‘bunga bunga'.
JUSTIÇA ATACA 'BUNGA-BUNGA' COM MENORES
A italiana Noemi Letizia, nascida em 1991, e a marroquina Karima El-Mahroug ‘Ruby', de 1992, atrapalharam a vida política de Berlusconi nos últimos dois anos e meio, embora não fossem da oposição nem se manifestassem contra o governo de ‘Il Cavaliere'. O problema é que ambas surgem como parceiras sexuais de Silvio, quando eram ainda menores de idade. O caso Letizia rebentou em Abril de 2009 e esteve na origem do fim do segundo casamento de Berlusconi, com Veronica Lario, ex-modelo de TV. Com ‘Ruby', acabou acusado de abuso de poder, por enviar o motorista e um assessor a tirá-la das mãos de um juiz de Milão, com a mentira de que era neta de Mubarak, do Egipto.
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