Bispo falava à agência Lusa em Caracas, no âmbito de uma visita de seis dias à Venezuela, onde se já reuniu com os bispos da Conferência Episcopal Venezuelana, com a direção da Cáritas e esteve com portugueses em El Tibrón e em El Junquito, uma das povoações afetadas pelo sismo.
O bispo do Funchal mostrou-se esta quinta-feira sensibilizado com a situação dos luso-venezuelanos afetados pelo duplo sismo de 24 de agosto, alertando que, apesar da solidariedade, existe o drama da tragédia deixar de ser notícia em Portugal.
"Este é o grande drama, porque naquela primeira semana a Venezuela foi abertura em todos os telejornais nacionais. Não se falava de outra coisa. Depois, de repente, a Venezuela desapareceu [dos noticiários]", disse Nuno Brás da Silva.
O bispo falava à agência Lusa em Caracas, no âmbito de uma visita de seis dias à Venezuela, onde se já reuniu com os bispos da Conferência Episcopal Venezuelana, com a direção da Cáritas, visitou o Lar da Terceira Idade Padre Joaquim Ferreira, e esteve com portugueses em El Tibrón e em El Junquito, uma das povoações afetadas pelo sismo.
"O facto de o bispo do Funchal cá estar depois de algumas semanas (...) prova que, primeiro, a Venezuela nunca nos sai do coração, e, segundo, que nestes momentos difíceis os cristãos da Madeira querem estar com os cristãos da Venezuela, e com todos os venezuelanos. E, portanto, não esquecem jamais a Venezuela, que de facto está sempre no nosso coração", frisou.
O bispo do Funchal recordou que "não há família madeirense que não tenha tido um emigrante aqui na Venezuela, e, portanto, a Madeira está muito marcada pela Venezuela", disse.
Nuno Brás da Silva, sublinhou que os terramotos causaram muita preocupação em Portugal, mas de uma forma muito particular na Madeira, uma vez que "muitos madeirenses tinham familiares em La Guaira [a região mais afetada] e, portanto, sofreram toda a dor".
"Nos madeirenses havia um desejo muito grande de estar cá, de vir até aqui à Venezuela, de ajudar. Como para a grande maioria não foi possível, mandaram o bispo. Creio que podemos dizer assim", disse, precisando que muitos portugueses lhe pediram para fazer chegar mensagens de esperança aos familiares.
Sobre a reunião com a Cáritas, explicou que foi muito significativa. "Teve a ver com o destino daquilo que foi o peditório" que realizaram todas as igrejas da diocese do Funchal, em favor da Cáritas da Venezuela, explicou.
"Foram cerca de 130 mil euros [entregues], uma quantia bastante grande tendo em conta que somos uma diocese de 250 mil habitantes", disse.
"Esta primeira reunião foi muito interessante porque, para além, enfim, de ter percebido aquilo que são os números do trabalho da Cáritas da Venezuela, de uma forma muito particular nesta emergência (...). Tive também a oportunidade de verificar como trabalha (...), como se tornou e constitui hoje aquilo que é a grande ação social da Igreja na Venezuela, com uma enorme rede de 30 mil voluntários ao longo do país, o que lhe permite também colaborar (...) junto das populações", disse recordando que se trata de uma organização auditada e que tem no seu coração a transparência.
Por outro lado, frisou ainda que foi uma reunião que serviu muito para aprender sobre o modo como os bispos da Venezuela trabalham neste campo social e perceber como é que todos os donativos que chegam da Madeira, e não só, estão a ser distribuídos e estão a chegar às populações.
"Desde aqueles, digamos, dos centros que foram mais destruídos pelos terramotos, até aquilo que os bispos chamavam, as vítimas invisíveis, ou seja, os pequenos agricultores dos sítios mais distantes e mais ignorados, e, portanto, com que ninguém já conta, mas que viram também a sua casa destruída, os seus meios de subsistência abalados", disse.
Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho causaram pelo menos 6.301 mortos e 73.356 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.
Entre os mortos, há pelo menos 138 portugueses e lusodescendentes.
Os sismos de magnitude 7.2 e 7.5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
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