Uma explosão destruiu ontem de madrugada um café no centro de Pristina, capital do Kosovo, causando dois mortos e 11 feridos. O ataque não provocou alterações nas rotinas de segurança do 2.º Batalhão de Infantaria (2.º BI/KFOR) português, aquartelado em Jubilee Barracs. No entanto, era manifesta alguma preocupação, porque no cenário de intranquilidade que se vive na província sérvia de maioria albanesa ninguém sabe quando e onde será lançada a próxima bomba e com que motivação.
O edifício alvo do atentado situa-se na avenida Bill Clinton – a principal da cidade – a três quilómetros da zona onde estão estacionadas as tropas portuguesas. Mesmo assim, a explosão foi ouvida, pelas 02h10 (menos uma hora em Lisboa), por alguns militares e civis portugueses que se encontravam nas instalações.
Uma fonte militar portuguesa explicou que a maioria das rotinas previstas para os próximos dias não foi alterada, por se ter percebido logo pela manhã que a explosão resultaria de desavenças entre máfias do mundo do crime. Se as investigações, ainda em curso, apontarem para a tese de um atentado com motivações étnicas ou políticas, então o cenário poderá mudar.
A criminalidade é uma das principais preocupações dos actuais 15 mil militares – 290 dos quais portugueses – que procuram estabilizar a situação no Kosovo desde que terminou a guerra (1998/99). O tráfico de armas, de droga e de pessoas disparou em flecha nos últimos anos e as vinganças entre diferentes máfias são habituais. Aliás, alguns albano-kosovares indicaram aos jornalistas que os autores do atentado poderiam ser em breve vítimas de um acto semelhante.
A destruição do café-bar Sekiraqa e os danos em montras e janelas noutros edifícios foram de imediato atribuídos ao crime organizado pelas autoridades locais, que garantiram continuar a haver condições de segurança. Mas a verdade é que muitas das pessoas, estrangeiras e locais, que paravam junto à área vedada pela polícia, não podiam deixar de reparar num cartaz enorme, com a imagem do ex-presidente dos Estados Unidos, sob o qual alguém do movimento autonómico escreveu a frase: “Negociações não. Autodeterminação.”
O estabelecimento atacado situa-se numa rua onde existem muitos outros bares, cafés e restaurantes e é um principais pontos da vida nocturna de Pristina. A violência da explosão foi de tal ordem que cadeiras foram parar ao outro lado da avenida, que tem quatro faixas de rodagem.
A estrada esteve cortada durante algumas horas para que as autoridades policiais pudessem recolher provas do crime.
MILITARES PORTUGUESES MAIS ATENTOS
O atentado de ontem não alterou a postura dos militares do 2. ºBI/KFOR no terreno, nem as tarefas da missão para a qual treinaram durante seis meses em Portugal. As informações oficiais vão todas no sentido de tranquilizar os familiares dos portugueses e de que está garantida a sua segurança. No entanto, se outro efeito não teve, o ataque bombista serviu pelo menos para reforçar o alerta individual, porque existe sempre risco em todas as missões militares.
Quanto à possibilidade de um militar português ser apanhado num ataque como o que atingiu o café-bar Sekiraqa, isso é impossível, segundo fonte oficial, porque lhes está vedada a presença naqueles e noutros estabelecimentos. Aliás, apenas estão autorizados a sair do quartel em missão ou sob condições muito especiais.
REDUÇÃO DE FORÇAS
No Kosovo, a actividade principal da Força Multinacional mantém-se inalterada, continuando a decorrer o processo de redução de efectivos dos 38 mil militares existentes em Dezembro de 2001 para 25 mil militares em Junho de 2003, 17 mil em final de 2003 e actualmente 15 mil militares.
RESERVA TÁCTICA
O segundo Batalhão de Infantaria/KFOR constituiu a Reserva Táctica do Comandante da Kosovo Force (COMKFOR) e está preparado para ser empregue, num prazo de intervenção curto, em qualquer área do teatro de operações do Kosovo, a fim de garantir um ambiente seguro
VÁRIOS PAÍSES
Em 2006 e 2007 as Forças Armadas mantiveram forças nacionais destacadas no Afeganistão, na Bósnia-Herzegovina, na República Democrática do Congo, no Kosovo e também no Líbano.
ATAQUE CRIMINOSO
O atentado de ontem foi um ataque relacionado com actividades criminosas e “não tem qualquer ligação” com as negociações em curso sobre o estatuto da província, assegurou o governo local.
ADMINISTRAÇÃO DA ONU
O Kosovo está sob administração da ONU desde Junho de 1999, ao abrigo da Resolução 1244 do Conselho de Segurança. O actual administrador é o alemão Joachim Rucker.
MISSÃO DA NATO
A missão da NATO no Kosovo (KFOR) teve início em Março de 1999. Actualmente, a Aliança tem cerca de 15 mil militares no país, provenientes de 34 países (24 NATO e dez não NATO).
INDEPENDÊNCIA
O enviado especial das Nações Unidas ao Kosovo, Martti Ahtisaari, recomendou no início do ano a “independência sob supervisão” do Kosovo em relação à Sérvia.
NEGOCIAÇÕES
A Sérvia, apoiada pela Rússia, rejeita terminantemente a independência da província. As negociações prosseguem, embora com poucas possibilidades de acordo.
ESPANHÓIS MORTOS NO AFEGANISTÃO
Dois militares do contingente espanhol da ISAF morreram ontem quando o veículo blindado em que seguiam passou por cima de uma mina na província afegã de Farah.
Segundo o Ministério espanhol da Defesa, o veículo atingido fazia parte de uma patrulha da ISAF encarregada de manter a segurança na zona de Shewan, no noroeste das província, junto à fronteira com a vizinha Herat. Além das duas vítimas mortais – um soldado espanhol e outro equatoriano ao serviço do contingente espanhol – a explosão provocou ainda seis feridos, três dos quais em estado grave.
O ataque foi prontamente reivindicado pela guerrilha taliban, que anunciou ter destruído dois veículos e morto cinco militares espanhóis, exagero corrigido pela ISAF.
Entretanto, os dois agentes dos serviços de informações militares italianos sequestrados pela guerrilha no fim-de-semana foram ontem resgatados numa operação levada a cabo pela tropas da NATO, mas foram ambos feridos a tiro pelos raptores e um deles está em estado grave. No ataque foram mortos pelo menos sete dos sequestradores.
A guerrilha taliban tem aumentado nos últimos meses os ataques e emboscadas contra as forças da NATO no Afeganistão, sobretudo no sul do país. Portugal, recorde-se, tem cerca de 160 militares no contingente da ISAF.
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