No final de um julgamento de quatro dias, o ex-guarda-redes do Flamengo, Bruno Fernandes de Souza, de 28 anos, foi condenado a 22 anos e três meses de prisão como mandante do rapto e do assassínio da ex-namorada Eliza Samúdio.
A sentença foi lida no tribunal da cidade brasileira de Contagem, estado de Minas Gerais, quando já era madrugada em Lisboa, depois de uma última sessão do julgamento que durou mais de 16 horas.
Bruno foi condenado a 17 anos e seis meses de prisão em regime fechado pela morte de Eliza, que os jurados consideraram homicídio intencional triplamente agravado, a três anos e três meses de prisão em regime aberto pelo rapto e cativeiro de Bruninho, filho do futebolista com a modelo, e ainda a mais um ano e seis meses por ocultação de cadáver. O corpo de Eliza Samúdio, desaparecida em Junho de 2010, não foi encontrado até hoje, supostamente por ter sido esquartejado e dado a cães que o presumível executor da morte, o ex-polícia ‘Bola’, criava e treinava.
Na sua sentença, a magistrada afirmou que a personalidade de Bruno “é desvirtuada e foge dos padrões mínimos de normalidade”. Para ela, o guarda-redes tem incutida na sua personalidade “uma total incompreensão de valores”.
A outra arguida no julgamento que terminou na madrugada desta sexta-feira, Dayanne Rodrigues, ex-mulher de Bruno, foi ilibada a pedido da própria acusação. Foi a Dayanne que Bruno, após a morte de Eliza, pediu para ficar por uns dias com o filho que este teve com a modelo, mas o promotor do caso, Henry Wagner, considerou que a ex-mulher do futebolista não teve participação direta no crime.
Outros três arguidos serão julgados nos próximos dois meses. O mais importante deles é o ex-polícia Marcos Aparecido dos Santos, o ‘Bola’, acusado nos autos de ter morto Eliza através de estrangulamento e de ter desmembrado o corpo para não deixar rastos.
Em novembro, outros dois arguidos foram julgados e condenados pelo mesmo tribunal. Luis Henrique Ferreira Romão, o ‘Macarrão’, ex-braço-direito de Bruno, apanhou 15 anos de prisão, e Fernanda de Castro, uma das várias namoradas do guarda-redes, apanhou cinco.
Eliza Samúdio, que quando desapareceu tinha 25 anos, exigia de Bruno o reconhecimento da paternidade do filho que ambos tiveram e que hoje tem quatro anos, e o pagamento de uma pensão de alimentos. De acordo com a investigação policial, Eliza foi raptada dia 4 de Junho de 2010 num hotel no Rio de Janeiro por ‘Macarrão’ a pedido de Bruno, nessa altura o famoso e idolatrado capitão do Flamengo, e levada à força e sob pancada para Minas Gerais, onde o futebolista nasceu, e onde foi morta por ‘Bola’ no dia 10.
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