Meeting Plateau irá oferecer aos clientes a possibilidade de explorarem e conhecerem a cultura cabo-verdiana, com foco nos aspetos históricos do Plateau.
O Governo cabo-verdiano atribuiu o estatuto de utilidade turística à instalação de um hotel-boutique no Plateau, que prevê divulgar a cultura e história daquela zona da cidade da Praia, segundo os investidores.
De acordo com o despacho conjunto dos ministros do Turismo e Transportes e da Finanças da última quarta-feira, que atribui esta classificação, em causa está o investimento privado na construção do Meeting Plateau, promovido pela sociedade GL Turismo e Investimento.
Trata-se de um conceito de hotel-boutique inspirado na cultura cabo-verdiana e que "pretende oferecer aos clientes a possibilidade de explorarem e conhecerem a cultura cabo-verdiana, com foco nos aspetos históricos do Plateau".
Localizado em pleno centro histórico da capital da Praia, na ilha de Santiago, a designação de Plateau está relacionada com o facto de estar situado num planalto com vista para o porto da cidade e que ao longo das décadas, antes e depois da independência do país, marcou a vida social do arquipélago.
É o centro da vida na Praia, onde estão localizados, entre outros edifícios históricos, o palácio da Presidência da República mas também o grande mercado da capital cabo-verdiana.
Com dez quartos distribuídos por um edifício que será de três andares, com várias valências, o projeto Meeting Plateau prevê criar nove postos de trabalho, através de um investimento privado de 65 milhões de escudos (600 mil euros).
pesar deste investimento, e outros que continuam em curso no arquipélago, o ministro do Turismo cabo-verdiano alertou em julho que o setor turístico, que representa 25% do Produto Interno Bruto do país, só retomará em 2023 os níveis anteriores à pandemia da Covid-19, cenário que o Governo vê "com preocupação".
"Obviamente que nós teremos uma quebra substancial ao nível dos turistas que vão entrar em Cabo Verde neste ano e no próximo ano. E os números dizem-nos que só em 2023 é que poderemos almejar voltar aos números de 2019", afirmou o ministro Carlos Santos.
Em 2019, Cabo Verde registou um recorde de 819 mil turistas e a meta do Governo era chegar ao milhão de turistas anuais a partir de 2021, cenário drasticamente alterado com a pandemia de Covid-19, com o arquipélago fechado a voos internacionais desde 19 de março.
A procura turística em Cabo Verde deverá recuar este ano a níveis de 2009, devido à pandemia de Covid-19, com a perda de 536 mil turistas face à previsão inicial do Governo.
A previsão consta de um documento de suporte ao Orçamento Retificativo para 2020, que entrou este mês em vigor, apontando para uma quebra de 58,8% na procura turística, face aos 819 mil turistas que o arquipélago recebeu em 2019.
No Orçamento do Estado para 2020, aprovado em dezembro, o Governo estimava um crescimento da procura turística de 6,6%, aproximando-se da meta anual de um milhão de turistas, depois de um crescimento de 7% em 2019.
Contudo, na previsão do Governo que consta do documento de suporte orçamental, Cabo Verde deverá receber este ano apenas 337.555 turistas.
Deste total, 170.778 são turistas que já visitaram o país no primeiro trimestre de 2020, pelo que até final do ano o país deverá receber pouco mais de 165.000 turistas.
Esta revisão em forte baixa das previsões para 2020 reflete-se desde logo numa quebra de 66,1% nas receitas com o setor.
As receitas com o turismo renderam em 2019 um máximo histórico de 43.103 milhões de escudos (389 milhões de euros), mas segundo a previsão do Governo deverão cair este ano para 15.086 milhões de escudos (136 milhões de euros).
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