Primeira volta das eleições realiza-se no domingo.
Os candidatos às eleições presidenciais francesas, cuja primeira volta se realiza no domingo, expressaram na quinta-feira à noite solidariedade com as forças policiais, após o tiroteio que matou um polícia e feriu outros dois, em Paris.
Os 11 candidatos participaram hoje à noite num programa de televisão, na mesma altura em que ocorreu o ataque, cerca das 21h00 em Paris, menos uma hora em Lisboa.
O candidato conservador, François Fillon, e a candidata de extrema-direita, Marine Le Pen, anunciaram durante as entrevistas televisivas que iriam cancelar as ações previstas para o último dia de campanha antes da primeira volta das eleições presidenciais, no próximo domingo.
"A luta contra o terrorismo deve ser a prioridade absoluta do próximo Presidente da República", sublinhou Fillon, na sua última intervenção no programa de entrevistas de 15 minutos a todos os candidatos presidenciais, emitido pela cadeia pública "France 2".
O candidato da direita aproveitou para recordar as suas propostas nesta área, em particular a de "uma mobilização mundial" mediante "uma coligação internacional contra o totalitarismo islâmico", que, defendeu, não deveria limitar-se à que é atualmente liderada pelos Estados Unidos, mas que deveria incluir também países como a Rússia e o Irão, para ser eficaz.
Fillon recordou também a sua proposta de impedir o regresso a França dos cidadãos que se tenham integrado em grupos extremistas de combate na Síria e no Iraque, a quem pretende aplicar uma disposição penal dos anos 1930 para lhes retirar a nacionalidade.
O líder conservador considerou que no contexto gerado pelo atentado "não tem sentido continuar com a campanha eleitoral", depois de ter mostrado "solidariedade" com a polícia.
Marine Le Pen disse que o ataque de quinta-feira à noite nos Campos Elísios mostra que "o pesadelo começou novamente" e descreveu ter sentido "uma raiva surda" porque, na sua opinião, "não está a ser feito tudo para proteger" os franceses das ameaças terroristas.
A presidente da Frente Nacional rejeitou a ideia de que as pessoas devem habituar-se ao "terrorismo islamista" e propôs "um plano de ataque" que passaria pelo "restabelecimento do controlo das fronteiras" de França e por "pôr fim ao laxismo e à ingenuidade".
Para Le Pen, as forças da ordem "esperam algo mais que compaixão, esperam meios" para enfrentar o risco de atentados.
O candidato independente liberal Emmanuel Macron, favorito nas sondagens para vencer as eleições, alertou que estas ameaças "farão parte do quotidiano nos próximos anos".
Macron, que sublinhou que a missão principal do chefe de Estado é, precisamente, proteger a população, defendeu que não há que "ceder ao medo" nem "dar a impressão de que se cedeu".
O candidato da esquerda-radical, Jean-Luc Mélenchon, além de enviar "uma mensagem emocionada" aos familiares do agente assassinado, esforçou-se para garantir que "os criminosos não ficarão impunes" em França, e que os cúmplices também não serão esquecidos.
Mélenchon pediu à população para que não ceda ao pânico e que não se interrompa o "processo democrático" das eleições.
"Este acontecimento recorda-nos que estamos no centro de uma crise, caracterizada pelo ataque de forças que detestam a nossa democracia", disse o socialista Benoît Hamon, que defendeu a necessidade de se ser "implacável com essas forças".
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