No momento do incêndio encontravam-se no edifício 237 trabalhadores e dois visitantes.
As autoridades chinesas estão a investigar um incêndio numa fábrica de calçado na província de Fujian (sudeste), que provocou 28 mortos, reacendendo preocupações sobre a segurança no trabalho no país asiático.
A agência noticiosa oficial Xinhua informou, esta sexta-feira, que as operações de busca terminaram e que está em curso uma investigação para apurar as causas do incêndio, que deflagrou na quinta-feira e destruiu a fábrica da Fujian Huiteng, localizada em Jinjiang, um dos principais centros de produção de calçado desportivo da China.
Segundo informações disponíveis em plataformas de comércio eletrónico e de importação, a Fujian Huiteng produz calçado para marcas chinesas e estrangeiras.
Imagens divulgadas pelos órgãos de comunicação locais mostraram pessoas retidas no telhado do edifício de cinco andares, envolvido por uma espessa coluna de fumo negro, enquanto a água projetada pelos bombeiros não conseguia alcançar as chamas que consumiam os pisos superiores.
A Xinhua adiantou que o proprietário da fábrica e os gestores da empresa foram detidos e que as contas bancárias da empresa foram congeladas.
No momento do incêndio encontravam-se no edifício 237 trabalhadores e dois visitantes. Das 213 pessoas retiradas com vida, duas morreram posteriormente no hospital. As restantes 26 pessoas dadas como desaparecidas foram mais tarde confirmadas como mortas, segundo a televisão estatal CCTV.
A segurança no trabalho continua a ser um problema recorrente na China. Em maio, uma explosão numa fábrica de fogo-de-artifício na cidade de Changsha, província central de Hunan, provocou pelo menos 37 mortos. Em 2024, um incêndio numa instalação de refrigeração em construção matou 39 pessoas na cidade de Xinyu, na província de Jiangxi (sudeste).
As autoridades chinesas têm ordenado repetidamente às empresas que reforcem a identificação de riscos nos locais de trabalho. Dados oficiais indicam que 18.261 pessoas morreram em quase 20.000 acidentes de trabalho registados em todo o país em 2025, menos do que no ano anterior.
O Presidente chinês, Xi Jinping, exigiu uma investigação rápida ao desastre e afirmou que os responsáveis serão "rigorosamente responsabilizados".
Jinjiang alberga milhares de fábricas de calçado e é considerada a "capital do calçado" da China, produzindo cerca de um quinto de todo o calçado desportivo fabricado no mundo, mais de mil milhões de pares por ano, segundo os órgãos de comunicação estatais e relatórios do setor.
A transformação da região, de pequenas oficinas para um grande centro exportador, frequentemente designada por Xi Jinping como a "Experiência de Jinjiang", é apontada como um modelo do desenvolvimento industrial que sustentou a ascensão da China como potência mundial da indústria transformadora.
Segundo a CCTV, o incêndio começou no rés-do-chão do edifício, onde funcionavam uma oficina e um armazém.
Um responsável dos bombeiros locais afirmou à estação estatal que materiais utilizados no fabrico de solas de sapatos, armazenados nas escadas, dificultaram o acesso às chamas. A CCTV acrescentou que esses materiais eram altamente inflamáveis.
A corporação mobilizou 183 operacionais e 35 veículos para combater o incêndio, que só foi dominado cerca de quatro horas depois. Posteriormente, a Xinhua indicou que mais de 500 pessoas participaram nas operações de combate ao fogo, busca e salvamento.
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