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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Chipre e Israel anunciam "avanços" na resolução de disputa sobre depósito de gás

Ministras da Energia mantiveram conversações no Chipre e manifestaram a sua vontade de alcançar "uma resolução rápida e justa".

19 de setembro de 2022 às 23:29

Chipre e Israel anunciaram esta segunda-feira "avanços significativos" na resolução de uma disputa sobre um deposito de gás 'offshore', adiantando o propósito de alcançar rapidamente um acordo.

As ministras da Energia, a cipriota Natasa Pilides e a israelita Karine Elharrar, mantiveram conversações na capital de Chipre e manifestaram à comunicação social a sua vontade de alcançarem "uma resolução rápida e justa".

Israel sustenta que parte do depósito cipriota designado Afrodite, que se estima contenha 4,4 mil milhões de metros cúbicos, está situada no seu campo Ishai e pretende uma linha de demarcação entre as zonas económicas exclusivas de Chipre e Israel.

As negociações decorrem há anos.

Mas agora, a União Europeia precisa de se libertar das fontes de energia russas, o que, depois da invasão da Ucrânia pela tropa do Kremlin, deu um novo sentido de urgência a estas negociações.

"À luz da crise energética global e da crescente necessidade de gás na Europa, acredito que é do nosso melhor interesse que as partes devem acelerar uma resolução rápida, transparente e justa", disse Elharrar, em uma declaração conjunta.

Por seu lado, Pilides salientou que as partes fizeram "progressos significativos" na conceção de um caminho conducente a um acordo, acrescentando que as negociações vão continuar nas próximas semanas.

A Chevron e os seus parceiros, a Shell e a israelita NewMed Energy, possuem os direitos de exploração do Afrodita e já adiantaram que um plano para o desenvolvimento do depósito vai estar pronto no final do ano.

Outras perfurações vão ser feitas nos próximos meses para reunir informação adicional sobre a dimensão do depósito.

As perspetivas sobre o Afrodite, bem como sobre outros campos descobertos no offshore cipriota, foram reforçadas depois de a União Europeia confirmar que o gás pode ser um combustível de transição para uma energia limpa, a alcançar até 2050.

Grupos de defesa do ambiente têm recorrido aos tribunais acusando a União Europeia de desrespeitar os seus compromissos de redução dos gases com efeito de estufa.

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