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Christa Pike, sobrevivente de execução falhada, já comunica com clareza e consegue andar sozinha

Avaliação concreta dos efeitos a longo prazo poderá demorar até um mês, segundo as equipas médicas e de defesa da norte-americana.

23 de outubro de 2026 às 20:17

Novas informações sobre o estado de saúde de Christa Pike, a mulher que sobreviveu a duas tentativas de execução por injeção letal no estado norte-americano do Tennesse, apontam para uma recuperação "significativa", sendo que já comunica com alguma clareza e consegue andar sozinha. As informações foram avançadas por um advogado de defesa ao TMZ. A equipa médica que acompanha Pike continua a avaliar as consequências cognitivas e psicológicas permanentes que possam advir da tentativa de execução falhada. A avaliação concreta dos efeitos a longo prazo poderá demorar até um mês, segundo as equipas médicas e de defesa da norte-americana.

Nos primeiros dias depois da tentativa de execução, Pike ficou inconsciente e incapaz de comunicar. Depois de recuperar a consciência, os advogados referiram que estava confusa e com alguns ferimentos físicos significativos. 

Um documento apresentado pela defesa na quarta-feira revela que a equipa responsável pela execução de Christa suspeitou que algumas das veias da condenada tivessem rebentado antes da administração da injeção letal.  De acordo com o advogado Randy Spivey, citado pela Associated Press, foram utilizadas cerca de dez agulhas e feitas várias tentativas para colocar duas linhas intravenosas nos braços da mulher. Durante o procedimento, um dos profissionais alertou para a possibilidade de uma veia ter rebentado. Mais tarde, Christa Pike queixou-se de dores e ardor no braço: "Sinto que o meu braço está prestes a rebentar. Está a arder", terá dito.

Têm sido revelados outros contornos do caso que têm gerado controversa na opinião pública, como os áudios que revelam atraso no socorro e falhas de comunicação após a tentativa de execucação.  A primeira chamada de alerta foi feita pouco mais de uma hora depois do início da execução, sendo que os áudios do 911, divulgados pelo Departamento de Comunicações de Emergência de Nashville, e aos quais a Associated Press teve acesso, apontam para erros de comunicação entre as equipas de emergência, que permaneciam do lado de fora da prisão e que terão sido informados que a chamada para o auxílio seria falsa.   

Christa Pike sobreviveu a duas injeções de pentobarbital administradas durante a execução, depois de ter sido condenada há mais de 30 anos pela tortura e assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, uma colega de Knoxville Job Corps. Na altura, Pike tinha 18 anos e o então namorado, Tadaryl Shipp, 17. Como Shipp não era elegível para a pena de morte, recebeu a sentença de prisão perpétua.

Especialistas médicos neste tipo de injeção letal concentraram-se na possibilidade de ter ocorrido um problema com o cateter intravenoso, que poderá ter feito com que a droga se acumulasse e não entrasse na corrente sanguínea. Os advogados dizem agora estarem gratos à equipa médica do hospital, "que prestaram cuidados excecionais".

Pike seria a 30.ª mulher a ser executada nos EUA e a primeira em mais de 200 anos no estado do Tennesse. As autoridades estaduais não vieram ainda prestar nenhuma explicação sobre o ocorrido, mas o diretor do sistema prisional do Tennessee, Frank Strada, acabou por apresentar a demissão. 

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