Recomendações têm de ter em conta gravidade da situação alimentar e nutricional, nomeadamente em zonas de conflito.
O Comité Inter-Estados de Luta contra a Seca no Sahel (CILSS) constatou esta sexta-feira, na Praia, que todos os países dispõem de planos para responder às crises, mas alertou para a falta do seu financiamento.
O alerta consta das notas finais da reunião restrita do dispositivo regional de Prevenção e Gestão das Crises Alimentares (Pregec) no Sahel e África Ocidental, que decorreu durante dois dias, na cidade da Praia.
Por isso, uma das recomendações saídas da reunião e dirigidas aos parceiros é o desenvolvimento de "novas estratégias" de mobilização do financiamento para a implementação de planos nacionais de resposta às populações vulneráveis, tendo em conta a gravidade da situação alimentar e nutricional, nomeadamente nas zonas de conflito.
O comité reafirmou a sua preocupação com a situação na África Ocidental e no Sahel, onde a insegurança alimentar e nutricional vai afetar mais de 30 milhões de pessoas entre julho e agosto.
Sobre a guerra na Ucrânia, o comité sublinhou a "situação crítica" por que passam os países dessas regiões, com aumento dos preços dos combustíveis, dos transportes e dos alimentos, com impacto maior sobre os mais vulneráveis.
Entre as recomendações da reunião está o reforço e manutenção do controlo da informação sobre a situação alimentar e nutricional relacionada com a crise provocada pela invasão russa da Ucrânia.
Para este ano, os responsáveis regionais perspetivam uma situação hidrometeorológica "satisfatória", com um período de chuvas longo, mas alertaram que poderá ser dificultado pelo custo elevado dos adubos e pela escassez de sementes.
Tomar as medidas necessárias para garantir a segurança e o acesso às zonas de conflito para os intervenientes humanitários e manter e reforçar a vigilância de pragas (gafanhotos, minhocas e grandes pragas) são outras recomendações.
Os técnicos instaram ainda os Estados-membros a explorar soluções endógenas capazes de apoiar a produtividade agrícola, intensificar o apoio ao setor pastoral ao longo da época baixa e a promover a construção de resiliência de populações vulneráveis através de intervenções de apoio ao sustento.
Relativamente ainda às pragas, pediram apoio aos países da linha da frente na monitorização do risco de gafanhotos, eliminação de todos os obstáculos ao comércio sub-regional e para se facilitar a livre circulação de bens e serviços entre países.
Também pedem para se continuar a reforçar as capacidades dos mecanismos nacionais de utilização de ferramentas de acompanhamento das campanhas agrícolas, a análise da segurança alimentar e nutricional e a implementação de planos nacionais de resposta.
A reunião foi realizada em Cabo Verde para avaliar a situação alimentar e nutricional, examinar e partilhar os resultados das previsões agrometeorológicas para 2022 e preparar o seguimento da campanha agrícola 2022/23.
O dispositivo regional de prevenção e de gestão das crises alimentares (Pregec) é um instrumento desenvolvido pelo CILSS para apoiar os países-membros na recolha, produção e tratamento das informações sobre a segurança alimentar e nutricional, permitindo a tomada de decisões no sentido de antecipar, prevenir e gerir as crises alimentares.
As reuniões restritas do Pregec têm lugar quatro vezes ao ano, em março, junho, setembro e novembro, e as informações produzidas permitem não só a tomada de decisões sobre a situação alimentar nos diferentes países, mas também fornecem informações à rede de prevenção das crises alimentares.
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