Causas da repetição destes novos confrontos, perto da fronteira entre as duas regiões, não foram reveladas.
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Mais de duas dezenas de pessoas morreram na semana passada, na sequência de novos conflitos entre as duas principais etnias da Etiópia, os somalis e os oromos, revelou esta segunda-feira a rádio estatal Fana, citando um porta-voz governamental.
Os conflitos, que sucederam aos registados em setembro com centenas de mortos, fizeram "mais de 20 mortos originários das duas regiões administrativas" somali e oromo, anunciou a rádio, citando Negeri Lencho.
As causas da repetição destes novos confrontos, perto da fronteira entre as duas regiões, não foram reveladas.
Durante semanas em setembro, somalis e oromos confrontaram-se ao longo dos mil quilómetros de fronteira entre as duas regiões administrativas do sul da Etiópia, com a situação a acalmar apenas depois da intervenção do exército.
O balanço da violência regista em setembro é difícil de apurar, uma vez que existem restrições de acesso às zonas mais sensíveis, mas as autoridades estimaram "centenas de mortos".
As Nações Unidas referem que cerca de 43 mil pessoas abandonaram as casas e fugiram, um número subvalorizado, de acordo com um oficial administrativo de etnia oromo, que garantiu à agência France Presse que o número de deslocados foi superior a 67 mil.
Negeri Lencho afirmou que a segurança nas duas regiões tinha amenizado desde setembro, porém salientou que "é impossível de dizer que o conflito está totalmente encerrado".
A informação desta segunda-feira sucede ao anúncio governamental no sábado da detenção de uma centena de pessoas - 98 oromos e cinco somalis -, supostamente envolvidos nos atos violentos de setembro.
O Governo revelou já a prioridade de colocar um fim ao conflito e ajudar as pessoas das regiões de Oromo (sul e oeste) e Somali (sul) afetadas pelos conflitos entre as duas etnias, que disputam, desde há vários anos, o controlo de certas zonas aráveis situadas ao longo da fronteira comum.
Algumas regiões da Etiópia realizaram já importantes doações para auxiliar os deslocados destes conflitos.
Se as disputas são comuns entre as comunidades por causa da demarcação de limites administrativos ou o acesso a recursos naturais, os distúrbios há muito não conheciam uma intensidade tão violenta.
Não se conhece a razão em pormenor e os líderes das duas etnias acusam-se mutuamente de terem provocado hostilidades no sul do país, o mais populoso de África, com mais de 100 milhões de habitantes.
Os incidentes violentos trouxeram novamente à luz as tensões que atravessam o sistema de governação etíope, de "federalismo étnico".
A Etiópia, dividida em nove regiões administrativas em 1995, consagra um certo grau de autonomia às diferentes comunidades do país e vozes críticas referem que isso contribui perigosamente para exacerbar sentimentos de pertença e "etnicidade" a antigas disputas terrestres.
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