Segundo o diretor dos Serviços Distritais de Atividades Económicas, crocodilos atacam nas margens do rio Zambeze durante atividades de agricultura e pesca.
Pelo menos seis pessoas morreram entre janeiro e julho deste ano vítimas de ataques de crocodilos no distrito de Tambara, província de Manica, centro do país, avançaram este domingo as autoridades moçambicanas.
"De janeiro a julho tivemos 23 casos de ataques de crocodilos que resultaram em seis mortos", disse Fernando Kingston, diretor dos Serviços Distritais de Atividades Económicas (SDAE) do distrito de Tambara, na província de Manica.
Segundo o responsável, os crocodilos atacam as populações nas margens do rio Zambeze, quando estas praticam agricultura e pesca, tendo pedido às comunidades maior atenção para evitar mortes.
"Mobilizamos a população a não se fazer ao rio de qualquer maneira e para fazer a travessia deve usar barcos e não canoas, mesmo quando vão fazer a pesca devem ir em sítios seguros", disse o diretor dos Serviços Distritais de Atividades Económicas do distrito de Tambara.
A Lusa noticiou antes que o número de mortos devido a ataques de animais selvagens quase triplicou num ano, chegando a 159 vítimas em 2023, segundo um relatório do Instituto Nacional de Estatística (INE) moçambicano.
No relatório de Indicadores Básicos do Ambiente de 2023, o INE detalhou que o número de óbitos por conflito homem-fauna bravia foi de 58 no ano anterior e de 56 em 2021, mas de 97 em 2020 e de 42 em 2019.
Mais de metade das vítimas mortais destes ataques em 2023 concentrou-se na província de Tete (70), seguindo-se a Zambézia (31), segundo os dados do INE. Só a província de Tete soma 137 mortos desde 2019, de acordo com o histórico do INE.
"No que concerne às áreas de culturas destruídas pela ação da fauna bravia, em 2023 houve registo de destruição de 1.490 hectares, sendo a província de Gaza a que observou maior destruição (68,3%), seguida de Tete com 16,3%", lê-se no documento.
No relatório acrescenta-se que o número de feridos nestes ataques também continua a crescer, afetando 114 pessoas em 2023, contra 70 no ano anterior, 51 em 2021, 66 em 2020 e 59 em 2019.
Citando os últimos dados disponíveis, no relatório do INE recorda-se que Moçambique estimava em 2018 uma população de 9.114 elefantes e 64.800 búfalos, entre dezenas de espécies de grande porte.
Segundo o mesmo relatório do INE, vivam em 2023 no interior das áreas protegidas moçambicanas 205.375 pessoas, em 162 comunidades, às que se somam 501.737 em 504 comunidades nas zonas tampão a estes parques e reservas.
De acordo com dados anteriores da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), os ataques da fauna bravia em Moçambique destruíram de 2019 a 2023 um total de 955 hectares de culturas agrícolas, como milho e mandioca.
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