Presidente cubano garante que qualquer agressor "deparar-se-á com uma resistência inexpugnável".
O Presidente cubano criticou esta quarta-feira os Estados Unidos por ameaçarem "quase diariamente derrubar" o Governo da ilha e pretenderem "apropriar-se do país", enquanto aplicam sanções energéticas que qualificou como um "castigo coletivo".
Miguel Díaz-Canel denunciou nas redes sociais que Washington "ameaça publicamente Cuba quase diariamente com a derrubada pela força da ordem constitucional", depois de o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, ter afirmado na segunda-feira que seria "uma honra" tomar a ilha.
"Eles pretendem e anunciam planos para se apoderarem do país, dos seus recursos, das propriedades e até da própria economia que procuram asfixiar para nos fazer render", afirmou Díaz-Canel.
Após a captura do ex-presidente venezuelano, Nicolás Maduro, Washington suspendeu a comercialização de petróleo de Caracas para Cuba e ameaçou aplicar tarifas a todos os países que continuassem a fornecer hidrocarbonetos à ilha.
O Presidente cubano afirmou que os Estados Unidos utilizam o "pretexto indignante" da "economia enfraquecida" de Cuba, embora a crise da ilha se deva à "guerra económica feroz" a que Washington submeteu o país, que "é aplicada como castigo coletivo contra todo o povo".
"Perante o pior cenário, Cuba tem uma certeza: qualquer agressor externo deparar-se-á com uma resistência inexpugnável", concluiu Díaz-Canel.
A situação em Cuba tem-se agravado devido à escassez de combustível, afetando todos os serviços, incluindo hospitais, gerando também apagões generalizados em todo o território.
A falta de eletricidade impediu a realização de cerca de 50 mil cirurgias só no mês de fevereiro, alertaram as autoridades cubanas.
Segundo o Gabinete de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU, a escassez de combustível está também a atrasar a entrega de ajuda humanitária e a dificultar o acesso aos cuidados de saúde.
A organização das Nações Unidas sublinhou esta quarta-feira que dezenas de contentores de ajuda humanitária já se encontram no porto de Havana e que estão mesmo a ser esperadas novas remessas, mas a falta de combustível está a aumentar os custos e a atrasar a entrega dessa ajuda a quem dela necessita.
Esta escassez está também a limitar as operações da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), apesar de esta dispor de material médico, alertou a entidade.
Paralelamente a estes esforços estão previstas chegar a Cuba em 21 de março mais de 20 toneladas em ajuda através da coluna "Comboio Nuestra América a Cuba".
A iniciativa, que se destinava inicialmente à entrega de ajuda humanitária via flotilha, acabou por receber um volume elevado de contribuições de organizações de diversos países e efetuará agora entregas de alimentos, medicação e produtos de higiene por via marítima e aérea.
Segundo o comunicado divulgado pelo "Comboio Nuestra América a Cuba", as ajudas incluem também mais de 500 mil dólares (cerca de 434 mil euros ao câmbio atual) em painéis solares e geradores para apoiar hospitais, 400 mil dólares (347 mil euros) em itens como produtos de nutrição infantil e mais 23 mil dólares (20 mil euros) em medicação para doentes com cancro.
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