Líderes dos 27 Estados da União Europeia reúnem-se esta quinta-feira para discutir o desenvolvimento da economia da UE, mas há outros temas que também deverão ocupar esse espaço.
A reunião dos Chefes de Estado e de Governo dos 27 Estados da União Europeia, desta quinta-feira, seria para ter como prato principal o desenvolvimento da economia da UE, mas o tema corre o risco de ficar para a sobremesa ou para acompanhar o café. A guerra no Irão e a nova chantagem da Hungria vão ocupar as refeições e os entretantos.
A Guerra na Ucrânia
Estava fechado que por estas semanas a UE iria fazer um empréstimo à Ucrânia. A Hungria até tinha concordado (elementar, pois esta é uma decisão que necessita de unanimidade) mas agora diz que não. Orbán recusa permitir que haja o empréstimo porque o oleoduto Druzhba, que abastece a Hungria com petróleo russo, está danificado. Onde? No segmento que atravessa a Ucrânia, alegadamente devido aos ataques russo. Assim, sem o crude que vem da Rússia chegar ao país Orbán não cede. Isso já levou a UE a oferecer não só apoio técnico, mas também humano e financeiro, para arranjar a infraestrutura. António Costa, presidente do Conselho, diz que está tudo pronto, e Zelensky já aceitou mas Orbán está intransigente: só dá luz verde quando estiver arranjado. Mas a chantagem acontece, por coincidência ou não, ao mesmo tempo que o atual primeiro-ministro húngaro luta pela reeleição. A Hungria vai a votos para eleições legislativas em abril e por isso a reunião em Bruxelas poderá não ser de embate direto com Orbán de forma a que não sejam dados trunfos para uma eleição que pode ser decidida por assuntos europeus. Mas o problema mantém-se: a Ucrânia tem dinheiro para poucas semanas. Orbán promete bloquear não só o empréstimo como novas sanções à Rússia.
Adeus a Guterres e a resposta a Trump
António Guterres está de saída de Secretário-geral da ONU e será a última vez que estará em Bruxelas nesse cargo. Deixa esse cargo no final do ano. Portanto, serão três os portugueses nesta cimeira: Costa, Guterres e Montenegro. A diplomacia vê esta como uma despedida mas o sinal do almoço com Guterres está dado. A ideia será mostrar que a UE está ao lado da carta das Nações Unidas. Não se espera um confronto com Donald Trump, mas a falta de resposta ao chamamento do presidente dos EUA tem a sua leitura.
Resposta à guerra e a uma crise que ninguém quer
Mesmo sem entrar na guerra, a UE está a ver o abismo de uma crise cada vez mais perto. O lanche e o jantar poderão ter o acompanhamento de medidas para evitar uma escalada dos preços que afete o dia a dia dos cidadãos. Para já não se espera um pacote de medidas comuns. Espera-se que haja porta aberta para que cada Governo tome as medidas que considerar mais úteis e que serão aceites no espaço europeu. Poderá haver espaço para deslizes orçamentais, se necessário.
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