Escolha o Correio da Manhã como "Fonte Preferida"
Veja as nossas notícias com prioridade, sempre que pesquisar no Google.
Ex-representantes na ONU resgatam vitórias históricas em África e Timor para blindar candidatura de Portugal. Escolha será feita na quarta-feira, 3 de junho.
O antigo embaixador português na ONU António Monteiro recorda que, como membro do Conselho de Segurança, Portugal "deu voz aos que tinham pouca voz", enquanto o ex-diplomata Moraes Cabral destaca a liderança portuguesa numa crise política na Guiné-Bissau.
Portugal concorre na próxima quarta-feira a um quarto mandato como membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSONU) para o biénio 2027-2028, numa eleição por voto secreto dos 193 membros na Assembleia Geral da ONU.
António Monteiro, que era o representante permanente de Portugal junto da ONU no segundo mandato português no Conselho (1997-1998), relatou, em entrevista à Lusa: "Conseguimos cumprir aquilo que tinha sido prometido: que estávamos nas Nações Unidas não só para atuar por nós, pelas nossas ideias, pelas nossas orientações, mas também para dar voz aos mais fracos, àqueles que tinham pouca voz nas Nações Unidas".
Monteiro citou "o afã por África" -- nomeadamente países em conflito, como Angola, então em guerra civil, mas também Libéria e Serra Leoa - e destacou o impulso dado ao processo de independência de Timor-Leste.
"Tinha sido decidido pelo Governo [então liderado pelo socialista António Guterres, atualmente secretário-geral da ONU] não incluir o tema de Timor na candidatura, para não corrermos o risco de sermos derrotados por aqueles que achavam que a Indonésia era mais importante", recordou.
Mas, Kofi Annan, que iniciava então funções como secretário-geral, prometeu "um novo olhar" para Timor e o tema que "voltou a renascer nas Nações Unidas em termos muito mais fortes".
Sobre Angola, Portugal, Rússia e EUA formaram "uma troica de observadores", de que as autoridades portuguesas eram "porta-vozes para o Conselho de Segurança".
O Iraque vivia também uma "terrível situação humanitária, devido às sanções globais que estavam a estrangular o país" e Portugal ficou responsável pela execução da iniciativa 'Oil for Food', que pretendia trocar petróleo por comida, elencou ainda.
Outra preocupação desse mandato foi a de contribuir para alterar o funcionamento do Conselho de Segurança, com cinco membros permanentes com direito de veto -- Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido -, e dez não-permanentes, por mandatos de dois anos.
"Os órgãos das Nações Unidas atravessavam então, e ainda hoje atravessam, uma crise perante a incapacidade de reformar a ONU, o que já era visto como essencial para fortalecer o papel da organização no mundo", disse António Monteiro.
Além de a maioria das decisões serem tomadas em reuniões informais, o Conselho era então muito fechado e Portugal promoveu "uma abertura a outros atores na cena internacional", como organizações não-governamentais, levando pela primeira vez a Amnistia Internacional àquele órgão.
"Portugal tinha também um grande interesse nos direitos humanos e nas questões humanitárias, que eram, do nosso ponto de vista, tratados de maneira redutora pelas Nações Unidas", comentou António Monteiro.
O tema do funcionamento da organização foi também destacado no terceiro mandato de Portugal no CSONU, entre 2011 e 2012, recordou José Moraes Cabral, representante permanente de Portugal junto da ONU entre 2008 e 2013.
"A maioria dos países deseja que o Conselho de Segurança trabalhe e decida de uma forma muito mais transparente e que escute as preocupações dos outros Estados", disse à Lusa, referindo que "um número muito significativo de membros das Nações Unidas sentem que, de facto, não são ouvidos em decisões que muitas vezes têm um impacto direto nesses Estados".
"Fica a sensação - se calhar bastante próxima da realidade -- de que o Conselho de Segurança é um órgão totalmente instrumentalizado pelos membros permanentes, com a conivência do secretariado-geral, que muitas vezes se diz que é o sexto membro permanente", comentou, realçando por isso "o empenho especial de Portugal na defesa do multilateralismo".
Além disso, Portugal sempre insistiu "na diplomacia preventiva".
"O Conselho de Segurança obviamente tem que acorrer a situações de conflito, procurando o restabelecimento da paz, mas pode - quanto a nós e quanto a muitos outros membros das Nações Unidas - fazer mais em termos de prevenção", sustentou.
Do mandato mais recente, destacou a crise política na Guiné-Bissau, em que Portugal teve "um papel ativo" na elaboração da resolução adotada em maio de 2012 que impôs sanções aos autores do golpe de Estado ocorrido no mês anterior e defendeu a necessidade de restabelecer a ordem constitucional e a realização de eleições gerais livres, democráticas e transparentes.
Os conflitos na Síria e na Líbia também marcaram o mandato português, recordou.
Nesta corrida ao quarto mandato, Portugal concorre com Alemanha e Áustria pelos dois assentos atribuídos à Europa Ocidental e Outros Estados, para o biénio 2027-2028.
O lema da candidatura é "Prevenção, Parceria, Proteção".
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.