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Desfile de homenagem a Lula da Silva no Carnaval do Rio gera polémica no Brasil

Oposição ao presidente brasileiro, que se deverá recandidatar este ano a um quarto mandato, afirma que o desfile de domingo foi usado para propaganda e aproveitamento político.

16 de fevereiro de 2026 às 12:11
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Escola de samba homenageia presidente Lula da Silva e lança polémica no Brasil

AP

Lula da Silva terá ficado em lágrimas ao assistir este domingo ao desfile sobre a sua vida no Carnaval do Rio. "Vi o presidente bastante emocionado", descreveu citado pela Veja o perfeito da cidade de Niterói, que viu ao lado do chefe de Estado brasileiro a homenagem da escola de samba 'Académicos de Niterói', que se apresentou no sambódromo do Rio de Janeiro com uma coreografia inspirada no percurso do presidente do Brasil. "Do alto do murungu surge a esperança", foi o título que deu o mote ao desfile biográfico, uma celebração de Lula como "o operário do Brasil" e o defensor dos trabalhadores de todo o país.

A mensagem está longe de ser consensual. Mesmo antes de acontecer, o desfile deste domingo motivou um coro de críticas da oposição política brasileira, que atacou a demonstração, e a associação de Lula da Silva ao desfile, como um ato de propaganda eleitoral antecipada, numa altura em que é amplamente esperado que o atual chefe de Estado se candidate a um quarto mandato não-consecutivo no Palácio do Planalto, nas eleições presidenciais deste ano.

"É o tipo de coisa que se vê numa União Soviética, na Coreia do Norte, uma ode ao grande líder", afirmou Marcel Van Hattem, deputado federal e líder do conservador Partido Novo, com assento parlamentar desde 2018.

A apresentação acompanha a história de vida do presidente brasileiro, pela voz da sua mãe, desde a infância pobre e trabalho como operário, até ao envolvimento na política, a chegada à presidência e até os anos da sua prisão.

A ideia surgiu a pensar no Carnaval de 2025, tendo na altura a escola de samba procurado o aval de Lula da Silva para adaptar a sua história de vida. "É a história de um homem guerreiro, que apesar de todos os obstáculos chegou à presidência", afirmou Tiago Martins, designer da escola, à Reuters. Depois de obter a permissão do presidente brasileiro, os representantes da escola foram recebidos, em setembro, no Planalto, para um jantar com Lula, no qual este se terá emocionado ao ouvir a música composta para o desfile.

Altamente críticos da ideia, vários políticos do espaço da direita no Brasil (incluindo Marcelo Van Hattem) avançaram mesmo com ações na Justiça para tentar impedir a realização do cortejo - ao abrigo da Lei Eleitoral brasileira, ações de campanha explícita não podem ocorrer antes do dia 16 de agosto (a primeira volta das presidenciais ocorre no início de outubro).

Outras queixas argumentaram que uma homenagem ao presidente em funções era incompatível com o facto de a escola de Niterói receber uma verba federal para as suas atividades e organização do desfile de Carnaval (semelhante, de resto, a todas as outras escolas participantes).

Os processos judiciais não foram acolhidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (STE), orgão de soberania máximo em matéria de eleições no Brasil. No entanto, a presidente daquela instância reconheceu a 'zona cinzenta' em causa: "É um ambiente muito propício a que haja excessos, abusos e ilícitos. A festa popular do Carnaval não pode ser uma festa para ilícitos eleitorais", afirmou dias antes do evento Cármen Lúcia, apelando à contenção dos responsáveis políticos no que toca ao cortejo.

A recomendação foi acolhida pelo governo federal brasileiro, tendo os ministros de Lula sido proibidos de participar no desfile, com os que assistiram ao mesmo a fazê-lo de forma discreta na plateia. O próprio Lula ficou num camarote, não tendo sido visto no sambódromo com os membros da escola.

No entanto, parte da opinião pública e da oposição brasileira continuam a criticar o que dizem ser uma clara manobra política. Entre outras coisas, apontam o dedo a referências no desfile ao número 13, o mesmo a que Lula e o Partido dos Trabalhadores estão associados nas urnas, e à aparição no cortejo do palhaço Bozo, numa referência à alcunha depreciativa usada pelos apoiantes de Lula da Silva para o ex-presidente, Jair Bolsonaro.

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