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Correio da Manhã

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Divisões bloqueiam governo na Catalunha

ERC recusa manter voto delegado dos políticos detidos e deixa separatistas sem maioria.
Francisco J. Gonçalves 11 de Outubro de 2018 às 08:57
Divisões no bloco separatista deixam o governo de Torra na corda bamba
Quim Torra
Quim Torra
Quim Torra
Divisões no bloco separatista deixam o governo de Torra na corda bamba
Quim Torra
Quim Torra
Quim Torra
Divisões no bloco separatista deixam o governo de Torra na corda bamba
Quim Torra
Quim Torra
Quim Torra
O separatismo catalão está numa encruzilhada causada por divisões internas. A Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) recusou continuar a desafiar a Justiça espanhola e negou apoio ao Juntos pela Catalunha (JuntsXCat), do presidente Quim Torra, na insistência em manter a delegação de voto para os deputados separatistas presos ou exilados. Este facto deixou o bloco separatista sem maioria parlamentar, o que pode precipitar a queda do governo e novas eleições.

A recusa de apoio da ERC deixou sem direito de voto os deputados do JuntsXCat Carles Puigdemont, exilado em Bruxelas, e os detidos Jordi Turull, Josep Rull e Jordi Sànchez, a que se soma Toni Comín, da ERC, também exilado. Estes cinco votos retiraram a maioria aos separatistas.

O que isso implica ficou claro terça-feira, no chumbo de três propostas. A primeira visava reiterar o direito da Catalunha à autodeterminação; a segunda reprovava o Rei Felipe VI; e uma terceira frisava a existência "de perseguição política" na Catalunha.

As medidas ficaram inviabilizadas porque as votações tiveram um empate a 65 votos entre separatistas e bloco opositor, formado por socialistas, Partido Popular, Cidadãos e Catalunha em Comum - Podemos. Acontece que este empate passa a ser norma, pois JuntsXCat e ERC, bloco do governo, somaram 66 deputados nas eleições de dezembro, num hemiciclo de 135 lugares.

Mas o fim da delegação de voto dos cinco separatistas reduz o número a 61. Neste cenário, nem o apoio continuado dos quatro deputados da CUP, formação separatista de extrema-esquerda que se distanciou do governo, bastaria para garantir os 68 votos da maioria absoluta.

PORMENORES 
Apoio para a estabilidade
O grupo Catalunha em Comum - Podemos propôs ao presidente catalão um pacto para viabilizar o orçamento e manter a estabilidade do governo. Torra replicou que só aceita um acordo que implique avanços "no direito à autodeterminação".

Moção de censura
O PP, partido com somente 4 deputados no parlamento catalão, instou o Cidadãos, partido com a maior bancada no parlamento catalão, 36 deputados, a avançar uma moção de censura contra o governo de Quim Torra. Mas o partido de Albert Rivera recusou, alegando que a oposição não tem maioria absoluta.

Torra apela à unidade
O presidente catalão, Quim Torra, instou ontem a ERC "a recuperar o espírito de desobediência" do referendo separatista de outubro de 2017 pois, sublinhou, não se pode fazer frente ao estado espanhol sem "a unidade do independentismo".
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