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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Divulgação de documentos "é ataque contra Panamá"

Investigação sobre 11,5 milhões de documentos encontrou paraísos fiscais de 140 personalidades.

04 de abril de 2016 às 11:03

A investigação de mais de 100 jornais sobre bens em paraísos fiscais de políticos ou personalidades de destaque é "um crime e um ataque" contra o Panamá, afirmou o diretor da firma de advogados Mossack Fonseca.

"É um crime, um delito", declarou no domingo à agência noticiosa France Presse (AFP) Ramon Fonseca Mora, diretor e fundador da Mossack Fonseca, após a divulgação de vários documentos, denonminados "Documentos do Panamá", propriedade desta firma panamiana, especialista na gestão de capitais e patrimónios.

A investigação sobre 11,5 milhões de documentos encontrou bens em paraísos fiscais de 140 políticos ou personalidades de destaque.

A lista inclui o presidente da Argentina, o futebolista Lionel Messi, o cineasta espanhol Pedro Almodóvar, o rei da Arábia Saudita, elementos próximos do Presidente russo Vladimir Putin, o presidente da UEFA, Michel Platini, e a irmã do rei Juan Carlos e tia do rei Felipe VI de Espanha, Pilar de Borbón.

Para Fonseca, de 64 anos, "há duas maneiras de ver o mundo. A primeira é ser competitivo e a segunda criar mais impostos".

"Há uma guerra entre os países abertos, como o Panamá, e os países que cobram cada vez mais impostos às empresas e cidadãos", declarou.

De acordo com a imprensa, a Mossack Fonseca comunicou aos clientes ter sido alvo de um ataque informático, que poderá ter afetado os seus dados.

"Os documentos mostram que os bancos, as firmas de advogados e outros atores que operam em paraísos fiscais esquecem-se frequentemente da obrigação legal de verificar se os seus clientes não estão implicados em empresas criminais", afirmou o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, sigla em inglês), que coordenou a investigação e integra mais de 100 'media'.

Juergen Mossack, o outro fundador da firma panamiana, criada há cerca de 30 anos, nasceu na Alemanha em 1948, antes de emigrar para o Panamá, onde estudou direito, com a família.

Os dois advogados começaram por abrir a firma nas Ilhas Virgens britânicas, tendo deslocado a atividade para o Panamá quando as Ilhas Virgens foram obrigadas, sob pressão internacional, a abandonar o sistema de ações ao portador anónimas.

O governo do Panamá garantiu no domingo que "vai cooperar" com a justiça, em caso de abertura de processo judiciário.

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