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"É bom ter uma família outra vez": O reencontro de um homem roubado em bebé no Chile com a mãe

Kyle Adler, de 36 anos, foi retirado da mãe chilena em bebé, o que levou a anos de choque e crises de identidade.

29 de maio de 2026 às 18:53

Kyle Adler, de 36 anos, foi retirado da mãe chilena em bebé, o que levou a anos de choque e crises de identidade. No início deste ano, Adler e a mãe biológica reencontraram-se.

"Tem sido esclarecedor conhecer a minha gente", disse Adler. "Eu sinto o amor, a compaixão, o cuidado - é bom ter uma família outra vez", desabafou ainda à Associated Press.

Kyle foi adotado quando tinha 9 meses, por uma família americana, sendo uma das milhares de crianças que foi roubada de famílias chilenas durante a ditadura militar. O homem foi recentemente uma das crianças tornadas adultas que se reuniu com as famílias biológicas graças ao rastreamento de ADN e organizações que ajudam adotados chilenos a investigar os próprios passados.

A família americana que adotou Adler em 1990 criou-o num subúrbio de Chicago, nos EUA.

"Os meus pais não me roubaram, eles não me chamaram de Kyle por mal. Eles viram em mim quem eles queriam que eu me tornasse, e houve muito amor colocado nisso", disse o homem sobre os pais adotivos Mike e Connie Adler. Adler acredita que nenhum dos dois sabia as circunstâncias em que a adoção aconteceu. Kyle explicou, no entanto, que nenhum dos dois apoiou inicialmente a decisão de encontrar a mãe adotiva, antes de morrerem em 2022.

O dia que o bebé foi levado

A progenitora biológica de Adler, Ana Maria Navarrete, era uma mãe solteira de 19 anos a fazer noites numa peixaria na cidade de Coronel, cerca de 533 quilómetros a sul da capital do Chile. Ana tinha chamado o filho de Marcos Antonio Navarrete.

A mãe só conseguia pagar um quarto para si mesma, então contratou uma mulher que acolheu Adler na sua casa em bebé e tomava conta dele. Navarrete disse que visitava a criança sempre que não estava a trabalhar.

Um dia, a cuidadora disse que o bebé tinha sido levada por um casal norte-americano, depois de um padre ter tratado da adoção para um bebé "a precisar de uma família".

"E ela deixou levá-lo", disse Navarrete furiosa e com vergonha, à AP.

Um investigador da polícia disse à mãe que o bebé teria sido levado por uma rede de adoção ilegal que envolvia agências de adoção, oficiais de imigração, juízes e até enfermeiros e médicos. Ninguém foi responsabilizado, disse Navarrete, e "esses anos depois foram alguns dos piores anos da minha vida". Sem apoio familiar, Navarrete acabou por aceitar que nunca mais teria o filho de volta.

Desvendar o passado

No início de 2017, Adler encontrou um grupo de Facebook chamado "Nos Buscamos" quando estava a fazer uma pesquisa no Google. Foi então que enviou uma mensagem a Constanza Del Rio, fundadora e diretora-executiva da organização sem fins lucrativos Nos Buscamos, com dados online sobre milhares de casos. O governo local estima que mais de 20 mil crianças foram roubadas das suas famílias.

No espaço de três meses, Del Rio confirmou as origens de Adler. Um teste de ADN da plataforma MyHeritage confirmou uma correspondência entre Adler e Navarrete. 

O reencontro

"A minha mãe biológica só queria que eu estivesse viva", disse Adler antes de embarcar num voo para o Chile em fevereiro. Os dois reencontraram-se dois dias depois do aniversário de 56 anos Navarrete, no dia de São Valentim.

As lágrimas corriam na cara de Adler. Tanto a mãe como o filho vestiam branco. O homem alto de cabelo escuro enterrou a cara no cabelo da mulher a chorar.

"Estão tão feliz de o estar a conhecer finalmente, o meu sonho finalmente tornou-se realidade", disse Navarrete. A reunião familiar foi passada durante uma agradável semana com passeios na praia, visitas ao hospital onde Adler nasceu e à casa de onde foi levado. Uma cópia da certidão de nascimento original foi recuperada e Adler conheceu um dos quatro irmãos. Em Miami, já tinha conhecido outra irmã e a filha dela.

Adler levou para Santiago memórias em presentes: um diploma de formatura, fotografias de infância e um par de sapatinhos de bebé que os pais adotivos guardaram.

Navarrete e Adler tiveram de comunicar com recurso a um tradutor, porque ele nunca aprendeu a falar espanhol. Agora, usam aplicações de tradução para continuar a conversar.

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