Decisão de libertar Joesley Batista foi da 12. Vara Criminal de Brasília.
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A justiça federal de Brasília mandou libertar na tarde desta sexta-feira o empresário Joesley Batista, dono da JBS, gigante mundial na produção de proteína animal, que estava preso desde Setembro passado e que em meados do mesmo ano quase derrubou Michel Temer do cargo, ao gravar uma conversa comprometedora com o presidente brasileiro, a quem supostamente teria pago milhões de euros em "luvas" para as suas empresas serem favorecidas pelo governo. Wesley Batista, irmão de Joesley e sócio da JBS, que também estava preso, foi libertado semana passada.
A decisão de libertar Joesley foi da 12. Vara Criminal de Brasília, que no entanto impôs ao empresário algumas medidas restritivas. Ele vai ter de entregar o passaporte às autoridades, não poderá viajar sem autorização prévia, terá de se apresentar regularmente à justiça e não poderá faltar a nenhuma convocação judicial.
Em Junho do ano passado, Joesley Batista provocou um verdadeiro terremoto na política brasileira ao ser divulgada uma gravação que ele fez de um encontro secreto que teve com o presidente da República na calada da noite na garagem do Palácio do Jaburu, residência oficial de Temer em Brasília.Na gravação, Temer aprova a compra por Joesley de testemunhas que poderiam comprometer o chefe de Estado e o suborno de juízes para darem sentenças favoráveis aos interesses que, na gravação, o empresário e o governante pareciam ter em comum.
Por causa dessa gravação, Temer chegou a pensar em renunciar à presidência, o que acabou por não fazer, mas foi alvo de duas denúncias do então Procurador-Geral da República, PGR, Rodrigo Janot, uma por corrupção e a outra por formação de organização criminosa. Usando os cofres públicos para disponibilizar milhares de milhões de euros a deputados, que têm a última palavra num processo envolvendo o chefe de Estado, Temer conseguiu travar as duas ações mas ficou politicamente muito fragilizado e refém do Congresso.
Tendo feito um acordo extremamente vantajoso com o PGR, obtendo imunidade total em troca de entregar provas que incriminassem Temer e outras altas figuras do governo em corrupção, Joesley Batista continuou a criticar o presidente da República, a quem, no início de Setembro, chegou a chamar "Ladrão-Geral da República", acusando Temer de ser o chefe da maior organização criminosa já criada no Brasil.Mas, dias depois, foi Joesley quem acabou na prisão, depois de Rodrigo Janot ter rescindido unilateralmente o acordo que dava imunidade ao empresário, após a descoberta de novas gravações que evidenciavam que o dono da JBS não tinha contado tudo o que sabia, que tinha praticado muitos mais crimes do que os confessados, que tinha subornado um procurador-adjunto muito próximo ao PGR e que se preparava para tentar subornar até juízes do Supremo Tribunal Federal.
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