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Correio da Manhã

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Medicamento defendido por Bolsonaro matou 200 pessoas infetadas com Covid-19 no Brasil

Testes com medicamento defendido por Jair Bolsonaro para combater o vírus desrespeitaram normas éticas e de segurança.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 12 de Outubro de 2021 às 01:30
Homenagem às 600 mil vítimas causadas pela pandemia no Brasil.
Homenagem às 600 mil vítimas causadas pela pandemia no Brasil. FOTO: Joedson Alves/EPA
Testes médicos ilegais feitos na cidade brasileira de Manaus com doentes infetados pelo coronavírus que receberam Proxalutamida, um medicamento contra o cancro defendido pelo presidente Bolsonaro como possível cura da Covid-19, mataram pelo menos 200 pessoas. O estudo foi denunciado à Procuradoria-Geral da República pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa.

De acordo com a comissão, os ensaios clínicos, realizados em hospitais da operadora de saúde Samel, desrespeitaram quase todas as normas éticas estabelecidas, entre elas o facto de a coordenação científica e ética da pesquisa ter ficado a cargo das empresas patrocinadoras, o que configura incompatibilidade de interesses. A comissão acrescenta que autorizou um estudo em Brasília com 294 doentes, mas que a experiência foi realizada em Manaus com 645 pessoas com perfil diferente do estipulado e que as empresas envolvidas continuaram a recrutar doentes para os testes mesmo após constatarem um invulgar número de mortes.

A Proxalutamida, tal como a ineficaz Cloroquina, tem sido insistentemente defendida por Bolsonaro como suposta cura da Covid-19. Na segunda-feira, a UNESCO criticou duramente a experiência de Manaus e acrescentou que “nenhuma emergência sanitária ou contexto político e económico” justifica tais procedimentos.



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