Advogados também fazem parte da lista.
O envolvimento de Portugal no escândalo dos "Papéis do Panamá" inclui gestores de topo do Espírito Santo, a Abreu Advogados, um ourives, donos de empreendimentos turísticos no Algarve e um empresário ligado ao futebol, noticia este sábado o Expresso.
Além daqueles, muitos outros estiveram envolvidos com a sociedade de advogados panamiana Mossak Fonseca, incluindo ex-ministros e políticos, numa lista, que o semanário português, juntamente com a TVI, começou a divulgar na sexta-feira, no âmbito da investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas, do qual fazem parte, num dossiê que ficou conhecido como "Papéis do Panamá".
"Da lista fazem parte advogados (é possível identificar pelo menos 13 escritórios), gestores de ativos e empresários, principalmente ligados ao imobiliário e empresas de comércio e internacional", refere o Expresso no texto que abre uma reportagem de oito páginas, escrita por Micael Pereira (Expresso) e Rui Araújo (TVI).
No texto, os jornalistas revelam que, "no mundo das 'offshores' do Panamá há um forte envolvimento de gestores do Grupo Espírito Santo", bem como o dono da farmacêutica Bial, Luís Portela, ou o ex-presidente do Benfica Manuel Vilarinho e de Ilídio Pinho, presidente da Fundação homónima, que já recusou qualquer ligação a "paraísos fiscais".
"Entre os quase 90 intermediários ou assessores portugueses que já estiveram envolvidos em transações que passaram pela Mossak Fonseca estão firmas como a Abreu Advogados, mas também empresas especializadas em gestão de participações e em planeamento fiscal", com sede na zona franca da Madeira, refere a notícia.
Segundo o jornal, entre "os envolvidos há diversos tipos de relacionamento com as 'offshores'", ou seja, podem ser "acionistas diretos da sociedade, donos por via indireta, representantes legais ou meros pontos de contacto com os beneficiários finais".
"Da lista fazem parte um ourives do Porto, donos de empreendimentos turísticos do Algarve (que o Expresso ainda está a investigar), um empresário ligado ao futebol, entre muitos outros", refere.
Dados longe de reflectir todo o univerdo das offshores
No texto, os jornalistas explicam que os "dados recolhidos" na investigação "estão longe de refletir todo o universo de sociedades offshores com portugueses envolvidos, uma vez que a informação contempla somente clientes, intermediários e representantes que trabalharam com a Mossak Fonseca".
"Entre os mais de 11 milhões de ficheiros existem diversos intervenientes com passaporte ou cartão de cidadão português, o que inclui não só pessoas nascidas em Portugal, mas também estrangeiros imigrados no país", explicam os jornalistas.
O texto refere também que há, segundo os registos já analisados pelo Expresso e pela TVI, 43 offshores ainda ativas que tiveram intermediários portugueses.
"Essas empresas estão registadas sobretudo no Panamá e nas Ilhas Virgens britânicas. Mas há dezenas de outras 'offshores' que foram criadas e entretanto encerradas", sublinha.
Uma investigação realizada por uma centena de jornais em todo o mundo sobre 11,5 milhões de documentos revelou bens em paraísos fiscais de 140 responsáveis políticos ou personalidades públicas.
O conjunto de documentos, denominados "Papéis do Panamá", provém da empresa de advogados panamiana Mossack Fonseca.
Segundo o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, que reuniu para este trabalho 370 jornalistas de mais de 70 países, mais de 214.000 entidades 'offshore' estão envolvidas em operações financeiras em mais de 200 países e territórios em todo o mundo.
A partir dos Papéis do Panamá (Panama Papers, em inglês) como já são conhecidos, a investigação refere que milhares de empresas foram criadas em "offshores" e paraísos fiscais para centenas de pessoas administrarem o seu património, entre eles rei da Arábia Saudita, elementos próximos do Presidente russo Vladimir Putin, o presidente da UEFA, Michel Platini, e a irmã do rei Juan Carlos e tia do rei Felipe VI de Espanha, Pilar de Borbón.
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