Este domingo foram desembarcadas e repatriadas 94 pessoas de 19 nacionalidades em oito voos.
Espanha considerou esta segunda-feira um "êxito do multilateralismo" a operação nas Canárias com o navio afetado com um surto de hantavírus, reiterando que foram seguidos todos os protocolos sanitários internacionais, após dois passageiros retirados do barco terem tido testes positivos.
Duas pessoas que no domingo foram retiradas do cruzeiro "MV Hondius" e repatriadas para França e Estados Unidos (EUA) a partir da ilha de Tenerife, no arquipélago espanhol das Canárias, têm testes positivos de infeção com hantavírus, disseram esta segunda-feira os respetivos países.
No caso do cidadão norte-americano, trata-se de um "positivo fraco" feito ainda a bordo do navio, segundo os EUA.
Quanto ao passageiro francês, as autoridades de Paris disseram que começou a ter sintomas no voo de repatriamento e o teste ao hantavírus que lhe foi feito à chegada deu positivo.
Numa conferência de imprensa esta segunda-feira em Tenerife, a ministra da Saúde espanhola, Mónica García, disse que foram seguidos a bordo do navio todos os protocolos sanitários internacionais, nomeadamente a nível de inquéritos epidemiológicos e testes, pelos peritos do Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, na sigla em inglês) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) que viajaram no "MV Hondius" a partir de Cabo Verde, onde o barco esteve de quarentena.
No caso do cidadão norte-americano, um teste que lhe foi feito teve resultado negativo e outro foi inconclusivo, com os EUA a decidirem tratá-lo como positivo. Foram por isso adotadas medidas específicas de controlo e isolamento no desembarque e repatriamento desta pessoa, garantiu a ministra espanhola.
Quanto ao caso francês, Mónica Garcia disse que não está em causa a validade das avaliações feitas a bordo do barco e lembrou que este vírus tem um período de incubação de até 42 dias, pelo que os sintomas e a doença podem surgir a qualquer momento e subitamente.
O estipulado nesta operação é que depois de retirados do barco nas Canárias e levados aos aviões de repatriamento, seriam aplicados a passageiros e tripulantes os protocolos sanitários dos respetivos países, que podem ser diferentes.
No domingo foram desembarcadas e repatriadas 94 pessoas de 19 nacionalidades em oito voos.
Para esta segunda-feira está previsto o desembarque de mais 22 pessoas, de várias nacionalidades, que serão todas transportadas num mesmo voo para os Países Baixos, o país do armador do navio, disse Mónica Garcia.
Trata-se de uma mudança do plano inicial previsto, que estabelecia a saída destas pessoas em dois voos, um para a Austrália e outro para os Países Baixos.
A previsão é que o avião com estas 22 pessoas saia antes das 19:00 locais (mesma hora em Lisboa) e que em seguida o navio, com 32 pessoas a bordo da tripulação, zarpe para Roterdão, onde será desinfetado.
O "MV Hondius" foi já reabastecido durante a manhã com combustível e alimentos para poder partir ao final da tarde, disse o Governo espanhol.
Quando o barco sair, será desinfetado o porto de Granadilla, onde está ancorado.
A operação nas Canárias, que envolveu mais de 20 países e diversas organizações internacionais, assim como a de rastreio de todos os contactos das pessoas que contactaram com passageiros e tripulantes do "MV Hondius" nas últimas semanas, é já "um êxito do multilateralismo e do conceito de saúde global", considerou a ministra espanhola.
"Podemos sentir-nos orgulhosos como país e das instituições internacionais", acrescentou.
A OMS confirmou até agora seis casos de infeção com hantavírus em pessoas que viajaram no cruzeiro "MV Hondius", que saiu do sul da Argentina no início de abril. Três pessoas morreram.
O hantavírus transmite-se geralmente a partir de roedores infetados. A variante detetada no paquete, o hantavírus Andes, é rara e pode transmitir-se de pessoa para pessoa.
Os sintomas da infeção são, inicialmente, semelhantes aos da gripe, como tosse, fadiga ou dores de cabeça e musculares.
A OMS garante que o risco deste surto para a população em geral é baixo.
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