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EUA foram convidados a participar em exercícios militares na Gronelândia

Responsável dinamarquês afirmou ter conversado com aliados da NATO, incluindo os Estados Unidos, e tê-los convidado a "virem para cá".

16 de janeiro de 2026 às 22:04

Os Estados Unidos foram convidados a participar em exercícios militares na Gronelândia, que estão relacionados com a ameaça da Rússia para os países da NATO, adiantou esta sexta-feira o chefe do Comando Ártico dinamarquês.

"É claro que os Estados Unidos, como membro da NATO, estão convidados", frisou o general Søren Andersen à agência France-Presse (AFP) numa entrevista a bordo de um navio da Marinha dinamarquesa atracado no porto de Nuuk, capital do território autónomo dinamarquês cobiçado por Donald Trump.

O responsável dinamarquês afirmou ter conversado nesse mesmo dia com aliados da NATO, incluindo os Estados Unidos, e tê-los convidado a "virem para cá".

"Os Estados Unidos são um aliado muito próximo da Dinamarca", sublinhou.

Vários países europeus da NATO, incluindo a França e a Alemanha, mas não os Estados Unidos, enviavam algumas dezenas de soldados para a Gronelândia para preparar as suas forças armadas para futuros exercícios em clima frio no Ártico.

Este modesto destacamento de tropas de reconhecimento ocorre num contexto de tensões em torno do destino da Gronelândia, que o presidente norte-americano Donald Trump disse querer tomar "de uma forma ou de outra".

Muitos especialistas veem este destacamento de tropas europeias como um "sinal estratégico" para Washington.

A Casa Branca afirmou, no entanto, que o destacamento "não terá impacto" no objetivo de Donald Trump de "adquirir" a Gronelândia.

"Para mim, está relacionado com a Rússia. Tem a ver com o que está a acontecer na Ucrânia", garantiu o general dinamarquês, falando a partir do convés de helicópteros do navio patrulha Knud Rasmussen, a propósito dos exercícios militares.

"Observámos como a Rússia está a conduzir a guerra na Ucrânia e, quando a guerra na Ucrânia terminar, esperamos que com um resultado favorável para a Ucrânia, acreditamos que a Rússia irá redirecionar os recursos que está atualmente a utilizar na Ucrânia para outros teatros de operações, incluindo o Ártico", analisou.

"Portanto, para nos prepararmos para isso, precisamos simplesmente de aumentar as nossas capacidades, precisamos de treinar mais, e é exatamente isso que estamos a fazer aqui", acrescentou.

O exercício Arctic Endurance terá lugar ao longo de 2026 "e talvez também no próximo ano", referiu ainda.

Søren Andersen adiantou que caças F-35 dinamarqueses, de conceção e fabrico norte-americanos, patrulharam esta sexta-feira a costa leste da Gronelândia, auxiliados por um avião cisterna francês.

Donald Trump insiste que os Estados Unidos precisam da Gronelândia para a sua segurança nacional e para conter a expansão russa e chinesa no Ártico.

"Não vi um único navio de guerra russo ou chinês na região" durante os meus dois anos e meio no comando, apontou Andersen.

"Estamos a ver, claro, que a China e a Rússia estão a cooperar no oceano Ártico. É verdade que isto está a acontecer a mil milhas náuticas daqui, mas nós vemos, e agora é o novo normal", indicou, dizendo que partilha as preocupações de Washington.

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