page view

EUA perderam 92 mil empregos no mês passado e taxa de desemprego subiu para 4,4%

Economistas esperavam 60 mil novos empregos em fevereiro.

06 de março de 2026 às 17:40

Os empregadores norte-americanos cortaram, inesperadamente, 92 mil empregos em fevereiro, sinal de que o mercado de trabalho continua sob pressão, tendo a taxa de desemprego subido para 4,4%, segundo dados do Departamento do Trabalho.

De acordo com os mesmos dados, citados pela agência Associated Press (AP), as contratações deterioraram-se em relação a janeiro, quando empresas, organizações sem fins lucrativos e agências governamentais criaram 126 mil empregos, informou o Departamento do Trabalho.

Os economistas esperavam 60 mil novos empregos em fevereiro, disse a AP.

As revisões também cortaram 69 mil empregos de dezembro e janeiro.

O quadro de emprego surpreendentemente fraco em fevereiro aumenta a incerteza económica em relação à guerra com o Irão, que causou um aumento nos preços do petróleo e sobrecarregou empresas e consumidores com custos imprevistos.

"O mercado de trabalho está a enfrentar dificuldades diante de tantos ventos contrários", disse Heather Long, economista-chefe da Navy Federal Credit Union, citado pela AP, indicando que "as empresas vão ficar ainda mais relutantes em contratar nesta primavera, até que a guerra termine e possam ver que os consumidores continuam a gastar. É um momento tenso para a economia dos EUA".

Esperava-se que o mercado de trabalho recuperasse este ano, após um 2025 sem brilho, quando foi afetado pelas políticas tarifárias do Presidente Donald Trump, pela sua purga da força de trabalho federal e pelos efeitos prolongados das altas taxas de juro.

Em 2025, os empregadores criaram apenas 15 mil empregos por mês. As esperanças de uma recuperação em 2026 aumentaram depois de as contratações em janeiro terem superado as expectativas.

"Justamente quando parecia que o mercado de trabalho estava a estabilizar, este relatório dá um golpe fatal nessa visão", disse Olu Sonola, diretor de economia dos EUA da Fitch Ratings. "É uma má notícia, não importa como se olhe para ela", destacou.

As empresas de construção civil cortaram 11 mil empregos no mês passado, o que provavelmente se deve ao tempo frio, e as empresas de saúde eliminaram 28 mil empregos, após uma greve de quatro semanas de mais de 30 mil enfermeiros e outros trabalhadores na Califórnia e no Havai.

As fábricas cortaram 12 mil empregos e agora perderam empregos em 14 dos últimos 15 meses. Restaurantes e bares perderam quase 30 mil empregos. Empresas de serviços administrativos e de apoio cortaram quase 19 mil empregos e serviços de correio e mensageiros quase 17 mil.

Já as empresas financeiras adicionaram 10 mil empregos, embora os cortes de empregos continuem a afetar esse setor também este ano.

O salário médio por hora aumentou 0,4% em relação a janeiro e 3,8% em relação ao ano anterior.

As perspetivas para o mercado de trabalho --- e para toda a economia --- estão obscurecidas pela guerra com o Irão.

A combinação de contratações fracas e pressões inflacionárias crescentes decorrentes da guerra cria um cenário difícil para a Reserva Federal (Fed), que deve decidir se reduz as taxas de juros para ajudar o mercado de trabalho ou se adia a decisão para ajudar a controlar os preços.

"Este é provavelmente o pior cenário para a política monetária", disse Eugenio Aleman, economista-chefe da Raymond James.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8