Áudios divulgados pela imprensa deram a conhecer a versão do tenente-coronel Mauro Cid.
O ex-ajudante de ordens da presidência brasileira, o tenente-coronel Mauro Cid, cujas denúncias contra Jair Bolsonaro deixaram o antigo presidente numa situação complicada, acusa agora a Polícia Federal de o ter coagido a fazer essas acusações. A denúncia de Cid consta em áudios divulgados pela imprensa no final da noite desta quinta-feira, 21 de Março, onde ele também ataca o juiz do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, relator dos processos contra o antigo chefe de Estado.
"Eles já estão com a narrativa pronta. Eles não queriam saber a verdade, eles queriam que eu confirmasse a narrativa deles, entendeu?", disse o militar a certa altura da conversa com um interlocutor não identificado.
Durante a conversa, o tenente-coronel, que no Exército teve uma carreira brilhante, disse ainda era pressionado por inspetores da Polícia Federal, lembrando-lhe que pelos crimes de que é acusado como suposto cúmplice de Jair Bolsonaro poderá ser condenado a mais de 30 anos de prisão. A polícia acrescentou que o tenente só conseguiria escapar da pena caso fornecesse informações e provas que permitissem atingir Bolsonaro. Em outro áudio, Cid também ataca o Supremo Tribunal, principalmente o juiz Alexandre de Moraes, acusando-os de se sobreporem às leis e fazerem o que querem sem limites.
"A lei já acabou há muito tempo. A lei são eles, eles são a lei, o Alexandre de Moraes é a lei. Ele prende quando ele quiser, como ele quiser. Com Ministério Público, sem Ministério Público, com acusação, sem acusação", revelou Mauro Cid na gravação, repetindo que há uma narrativa pronta para atingir Bolsonaro, existindo apenas necessidade de pessoas para confirmar.
A divulgação dos áudios pode ter consequências graves para os processos que investigam supostos crimes praticados por Jair Bolsonaro dentro e fora da presidência brasileira com a cumplicidade de aliados e assessores, provocando efeitos catastróficos para o tenente-coronel.
Preso durante seis meses no ano passado, Cid só foi libertado por Alexandre de Moraes após ter feito as denúncias contra Jair Bolsonaro e ajudado a polícia a encontrar provas. Caso o acordo for anulado, depois da acusação de coação das autoridades, o oficial pode ter de voltar para a prisão.
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