Matt Brittin sucede Tim Davie, que se demitiu na sequência de uma edição contestada de um discurso de Donald Trump, que levou a BBC a ser processada na justiça norte-americana.
Matt Brittin, um ex-dirigente da Google, assumiu esta segunda-feira a liderança da BBC, num momento em que o grupo audiovisual público britânico planeia cortar 2.000 empregos quando ocorre uma crise dos meios de comunicação.
Brittin, de 57 anos, foi nomeado diretor-geral do gigante dos media no final de março, depois da demissão de Tim Davie na sequência de uma edição contestada de um discurso de Donald Trump, que levou a BBC a ser processada na Justiça norte-americana.
"É para mim uma grande honra ocupar este cargo e eu encaro-o com muita humildade", declarou Brittin aos jornalistas que o aguardavam na entrada da sede da BBC, no centro de Londres.
"Quando olho para os 100 anos de história da BBC, a maneira como serviu o seu público, como soube adaptar-se rapidamente e mostrar-se à altura em tempos de crise, acredito também que hoje o mundo precisa mais do que nunca da BBC", acrescentou.
Num comunicado ao pessoal obtido pela AFP, Brittin reconheceu que as mudanças "não seriam fáceis".
"Escolhas difíceis são inevitáveis se quisermos economizar", admitiu.
Brittin passou 18 anos na Google, incluindo uma década à frente da região Europa-Médio Oriente-África, antes de deixar o gigante norte-americano da tecnologia no outono de 2024.
Assume as rédeas da BBC, com os seus cerca de 21.000 funcionários, num momento difícil para este gigante dos media.
Em meados de abril, o grupo anunciou que iria eliminar até 2.000 empregos, ou seja, cerca de 10% dos seus efetivos, devido a "importantes pressões financeiras". A BBC pretende economizar 500 milhões de libras (575 milhões de euros) nos próximos dois anos.
Matt Brittin também terá que concluir as negociações com o Governo sobre a revisão da carta real da BBC, válida até 2027, que abrange o financiamento, o caderno de encargos e os objetivos da empresa.
Outro revés, a BBC é alvo de uma ação por difamação de Donald Trump, apresentada à justiça da Flórida, que lhe reclama 10.000 milhões de dólares.
O objeto da disputa é um documentário transmitido pela BBC pouco antes da eleição presidencial americana de 2024, no qual trechos distintos do discurso proferido por Donald Trump em 06 de janeiro de 2021 são editados de tal forma que o republicano parece estar a pedir explicitamente aos seus apoiantes para atacarem o Capitólio em Washington.
A data do julgamento foi marcada para fevereiro de 2027.
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