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BBC pede desculpa por incidente racista ocorrido durante os prémios BAFTA

Um ativista com síndrome de Tourette pronunciou involuntariamente a palavra depreciativa para "negro"

23 de fevereiro de 2026 às 23:27

A cadeia britânica BBC pediu desculpas, esta segunda-feira, por um incidente ocorrido durante a transmissão dos prémios BAFTA, no qual um ativista com síndrome de Tourette pronunciou involuntariamente uma palavra depreciativa para "negro".

A emissora pública lamentou que alguns espetadores tivessem ouvido este domingo uma "linguagem forte e ofensiva" na gala dos prémios mais importantes do cinema britânico e que a peça não tivesse sido editada antes da emissão, que foi feita com um atraso de duas horas.

A BBC também se desculpou pelo facto de o evento, com o momento em questão incluído, ter estado disponível até à manhã desta segunda-feira no leitor digital do site da cadeia.

O incidente teve como protagonista o ativista John Davidson, cuja vida com o síndrome de Tourette inspirou o filme 'Incontrolável' ('I Swear'), que foi reconhecido com o prémio de melhor 'casting' e o de melhor ator para o inglês de ascendência basca Robert Aramayo.

Durante a retransmissão, ouviu-se que gritava em várias ocasiões o adjetivo no momento em que os atores negros Delroy Lindo e Michael B Jordan anunciavam o primeiro prémio da noite.

"Isto aconteceu como consequência de tiques verbais involuntários associados à síndrome de Tourette e, como foi explicado durante a cerimónia, não foi intencional", sublinhou a BBC, referindo-se às explicações dadas pelo apresentador da gala, Alan Cumming, recordando que essa perturbação neurológica "é uma incapacidade" e que a pessoa que a sofre não tem controlo sobre a sua linguagem: "Pedimos desculpa se esta noite se sentiram ofendidos", acrescentou a cadeia.

Por seu lado, Davidson afirmou, esta segunda-feira, num comunicado que se sente "profundamente mortificado" por alguém poder considerar que os seus "tiques involuntários são intencionais" ou que "têm algum significado".

Davidson agradeceu também o apoio da organização por informar previamente os participantes que os seus tiques são involuntários e não refletem as suas crenças pessoais, defendeu o seu esforço de correção da síndrome e explicou que decidiu abandonar a gala ao perceber o desconforto gerado.

As explicações e desculpas da BBC não satisfizeram alguns, pois apontam que a cadeia de comunicação de facto suprimiu os comentários do diretor Akinola Davies Jr. sobre a guerra em Gaza ou uma piada do próprio Cumming supostamente dirigida ao presidente norte-americano, Donald Trump.

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