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Ex-médico condenado a 278 anos de prisão por violar pacientes

Ex-geneticista brasileiro foi preso por agentes da Secretaria Nacional Anti-Drogas do Paraguai.

20 de agosto de 2014 às 13:58

O ex-médico brasileiro Roger Abdelmassih, de 70 anos, condenado em 2010 a 278 anos de prisão por violar sexualmente dezenas de pacientes, foi preso na terça-feira, no Paraguai. Abdelmassih, que era o especialista mais famoso do mundo em reprodução assistida e autoridade, era fugitivo desde 2011.

O ex-geneticista, que teve a licença de médico cancelada em maio de 2011, foi preso por agentes da Secretaria Nacional Anti-Drogas (Senad) do Paraguai e por agentes brasileiros enviados ao país vizinho, que seguiam o rasto do geneticista há anos. De acordo com informações fornecidas ao Correio da Manhã pela Senad de São Paulo, onde o ex-médico vivia e trabalhava até ser acusado dos crimes sexuais, Abdelmassih será alvo de um processo sumário de deportação por parte das autoridades paraguaias, que o entregarão à polícia brasileira na fronteira entre Brasil e Paraguai na cidade de Foz do Iguaçu.

Roger Abdelmassih era o geneticista preferido das mulheres da alta sociedade brasileira que não conseguiam engravidar naturalmente quando as denúncias de violações sexuais contra pacientes começaram a vir a público, em 2008. O antigo médico sempre negou, chegando a afirmar que as mulheres que o acusavam eram perturbadas, inventavam fantasias sexuais e continuou a dar consultas normalmente na sua clínica luxuosa da Avenida Brasil, um dos pontos mais nobres da cidade de São Paulo.

Em junho de 2009 a justiça aceitou as denúncias e iniciou o processo contra Roger Abdelmassih. Preso no dia 17 de agosto de 2009, o famoso especialista acabou por ser libertado a 24 de dezembro desse mesmo ano, beneficiando de um habeas corpus emitido pelo Supremo Tribunal Federal, que o autorizou a aguardar a tramitação do processo em liberdade.

Quase um ano depois, o Tribunal de Justiça de São Paulo considerou provadas 56 acusações de violação sexual contra 35 pacientes e condenou Abdelmassih a 278 anos de prisão, mas o antigo geneticista continuou em liberdade, pois outro habeas corpus, desta feita emitido pelo Superior Tribunal de Justiça, deu-lhe o direito de recorrer em liberdade. Esse habeas corpus foi revogado em janeiro do ano seguinte, quando se descobriu que o então ainda médico tinha tentado tirar outro passaporte mas desapareceu antes de a polícia conseguir prendê-lo novamente.

De acordo com dezenas de relatos das vítimas, todos coincidentes, os abusos sexuais ocorriam quando as pacientes iam à consulta para saber quais as probabilidades de engravidarem ou quando se submetiam ao procedimento da inseminação. Todas as pacientes descreveram que, mesmo semi-inconscientes devido aos sedativos que Abdelmassih lhes dava, perceberam que o antigo médico aproveitava o torpor delas para manter relações sexuais completas ou forçá-las a praticar sexo oral.

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