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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Filho de Bolsonaro recebido por Donald Trump na Casa Branca

Encontro só foi confirmado minutos antes de acontecer, com o brasileiro a ficar horas à espera no hotel que a assessoria norte-americana conseguisse um espaço na sobrecarregada agenda de Trump.

27 de maio de 2026 às 16:00

O senador brasileiro Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro e segundo colocado na corrida para as eleições presidenciais de Outubro no Brasil, foi recebido esta terça-feira na Casa Branca pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

O encontro, aguardado ansiosamente por Flávio para mostrar prestígio internacional após a sua campanha ter sido abalada pela revelação de que tinha uma relação muito próxima com um banqueiro preso por burlas gigantescas, só foi confirmado minutos antes de acontecer, com o brasileiro a ficar horas à espera no hotel que a assessoria norte-americana conseguisse um espaço na sobrecarregada agenda de Trump.

Na conferência de Imprensa que deu em Washington após o encontro, que durou aproximadamente uma hora e quarenta minutos, Flávio disse que a principal preocupação de Donald Trump foi com a saúde e a situação jurídica de Jair Bolsonaro. O presidente dos EUA quis saber como ele está, após passar por várias cirurgias e ter sido condenado em Setembro do ano passado a 27 anos e 3 meses de cadeia por tentativa de golpe de Estado, e como toda a família está a enfrentar este momento difícil.

Ainda de acordo com o candidato presidencial da direita e da extrema-direita do Brasil, que estava empatado com Lula da Silva na primeira colocação das sondagens mas após as revelações caiu quatro pontos, ele e Trump abordaram outros pontos de interesse comum. Entre eles a possível classificação pelos EUA das facções criminosas brasileiras PCC, Primeiro Comando da Capital, de São Paulo, e CV, Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, como organizações terroristas.

Flávio pediu a Trump que avance com essa classificação, que é radicalmente combatida pelo actual presidente, Lula da Silva. Lula teme que transformar as facções em organizações terroristas daria um pretexto a Trump para desencadear acções militares no Brasil, como fez meses atrás na vizinha Venezuela.

O filho de Bolsonaro também concordou com o presidente dos EUA num outro ponto que é extremamente caro aos americanos, a liberdade de expressão absoluta nas redes sociais, sem qualquer limite ou tutela. No Brasil, Lula da Silva ten editado decretos que tentam limitar a liberdade de expressão nas plataformas, e o juiz Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem obrigado as redes a retirarem conteúdos e aplicado multas de milhões nos casos em que não foi obedecido, estando a enfrentar processos na justiça dos EUA devido a isso.

A viagem de Flávio Bolsonaro, articulada pelo irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, autoexilado nos EUA desde Fevereiro de 2025, pelo influenciador brasileiro e amigo de Trump Paulo Figueiredo, neto do último presidente da ditadura, general João Batista Figueiredo, e por assessores do secretário de Estado, Marco Rúbio, foi planeada para superar nos noticiários do Brasil o escândalo da ligação do presidenciável ao banqueiro corrupto. E para mostrar internamente que ele tem prestígio suficiente para conseguir espaço na agenda do presidente mais poderoso do mundo e que, com a afinidade ideológica entre ambos, se for eleito nas eleições de Outubro poderá conseguir acordos favoráveis ao Brasil. (FIM).

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