Situação decorre devido a recente vaga de sequestros e crimes ligados aos jogos de azar.
As Filipinas confirmaram esta quarta-feira que vão banir a maioria dos casinos virtuais chineses a operar no país e deportar 40.000 cidadãos chineses que trabalham no setor, após uma recente vaga de sequestros e crimes ligados aos jogos de azar.
O Departamento de Justiça das Filipinas (DoJ) anunciou que vai encerrar as operações de até 175 operadores de jogos de azar virtuais, designados como POGOs (Philippine Offshore Gaming Operators), que estão ainda a operar no país apesar das respetivas licenças já terem expirado.
Estes operadores também são acusados de incumprimento fiscal.
O DoJ apontou ainda para ligações a redes chinesas de crime organizado.
"A campanha foi desencadeada por relatos de assassinatos, sequestros e outros crimes cometidos por cidadãos chineses contra cidadãos chineses", disse o porta-voz do Departamento de Justiça das Filipinas, José Dominic Clavano, citado pela imprensa local.
A decisão das autoridades filipinas foi elogiada pela Embaixada da China em Manila, que reiterou que Pequim "opõe-se firmemente e toma medidas duras para combater o jogo".
Cerca de 30 POGOs vão continuar a operar no país do Sudeste Asiático, de acordo com a imprensa local.
No auge da indústria, no entanto, estes casinos virtuais empregavam até 210.000 cidadãos chineses.
A indústria prosperou sob o mandato do anterior Presidente filipino, Rodrigo Duterte, que favoreceu uma aproximação à China, em detrimento das relações com os aliados tradicionais.
Apesar da oposição declarada de Duterte quando assumiu o poder em relação a este setor, os POGOs registaram um crescimento muito significativo durante o seu mandato presidencial.
As receitas do setor mais do que quadruplicaram para 4,1 mil milhões de dólares (cerca de 4,29 mil milhões de euros, ao câmbio atual) durante os primeiros três anos do seu mandato, convertendo as Filipinas numa das capitais mundiais do jogo, juntamente com as vizinhas Singapura e Macau.
Em 2020, o Governo filipino arrecadou 7,2 mil milhões de pesos (cerca de 123 milhões de euros) em receitas fiscais. Em 2021, as taxas de licenciamento totalizaram 3,9 mil milhões de pesos (cerca de 81 milhões de euros).
Mas o crescimento da indústria fez soar o alarme entre as autoridades filipinas.
Deputados filipinos alertaram para a potencial presença de milhares de oficiais dos serviços de informações chineses sob a cobertura dos POGOs e lamentaram a ocorrência de diversas atividades ilícitas, incluindo evasão fiscal, prostituição, tráfico de pessoas, lavagem de dinheiro e, em alguns casos, assassinatos, tortura e sequestros.
Entre janeiro e setembro de 2022, 15 em 27 casos de sequestro nas Filipinas estiveram relacionados com a atividade dos POGOs, de acordo com dados divulgados pela polícia filipina.
A eleição de Ferdinand Marcos Júnior para o cargo de Presidente das Filipinas, em maio passado, implicou mudanças nas relações entre Pequim e Manila.
O novo Presidente filipino está a pressionar para que exista um relacionamento mutuamente benéfico com Pequim, baseado em projetos concretos e investimentos de alta qualidade.
No início do seu mandato, Ferdinand Marcos Júnior, filho do antigo ditador com o mesmo nome, suspendeu uma série de grandes projetos de infraestruturas apoiados pela China, apontando preocupações com as condições de financiamento e altas taxas de juros.
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