Exército dos EUA começou a retirar-se esta segunda-feira de uma base no nordeste do país.
As forças norte-americanas, que começaram a retirar-se de uma base no nordeste da Síria, devem deixar o país dentro de um mês, disseram fontes políticas e diplomáticas à agência France-Presse.
A suposta retirada norte-americana ocorre numa altura em que o Governo central em funções em Damasco, apoiado por Washington, expandiu a autoridade no país empenhando-se na coligação contra o extremismo.
Esta segunda-feira, os Estados Unidos começaram a retirar um contingente militar de uma importante base em Qasrak, na província de Hassakeh, ainda sob controlo curdo, disse à France-Presse (AFP) um responsável curdo.
Uma equipa de jornalistas da AFP viu uma coluna de dezenas de camiões, blindados e veículos que transportavam construções pré-fabricadas a movimentarem-se na província de Hassakeh, o último bastião curdo, em direção à fronteira com o Iraque.
As forças norte-americanas já se tinham retirado de duas bases nas últimas duas semanas: al-Tanf (sudeste) e al-Chaddadi (nordeste).
"Dentro de um mês, terão retirado da Síria e deixará de haver presença militar (norte-americana) nas bases", disse à AFP um funcionário do Governo sírio, sob anonimato.
Os Estados Unidos mantinham aproximadamente mil soldados na Síria, em bases estabelecidas em zonas fora do controlo de Bashar al-Assad, líder deposto em dezembro de 2024 pela coligação atualmente no poder.
A partir das bases, realizavam ataques aéreos contra o grupo Estado Islâmico.
Washington estabeleceu a coligação internacional contra o extremismo depois de o Estado Islâmico ter tomado vastas áreas da Síria e do Iraque em 2014, aproveitando a guerra civil.
O Estado Islâmico foi derrotado na Síria em 2019, onde as forças curdas estiveram na linha da frente dos combates.
No entanto, o grupo extremista mantém células nas regiões desérticas da Síria e, no sábado, apelou aos combatentes para desafiarem as novas autoridades sírias.
Um diplomata que pediu para não ser identificado disse à AFP que a retirada deve ficar concluída dentro de vinte dias e que os Estados Unidos não vão manter mais bases na Síria.
Oriundo de um país aliado de Washington e de Damasco, indicou que os Estados Unidos podem agora realizar ataques aéreos na Síria a partir de outras bases militares na região.
Por outro lado, o responsável curdo afirmou que as forças da coligação internacional vão terminar, num período de três a cinco semanas a presença que se prolongou durante 12 anos no norte e nordeste da Síria.
"Nos próximos dias, os veículos vão transportar equipamento militar e logístico, bem como sistemas de radar e mísseis, das duas bases no norte e no leste da Síria", acrescentou.
O oficial, que pediu o anonimato, referia-se à base de Qasrak e à base de Kharab al-Jir, também na província de Hasakah.
A retirada dos Estados Unidos acontece numa altura em que as forças curdas devem ser integradas no Exército sírio, de acordo com um acordo anunciado no final de janeiro.
Os Estados Unidos tinham determinado que a "missão inicial" das forças curdas, enquanto principal força contra o grupo Estado Islâmico, tinha terminado com a entrada do Presidente Ahmad al-Sharaa na coligação.
Após o destacamento das forças governamentais nas áreas de onde as forças curdas se retiraram, os militares norte-americanos transferiram mais de 5.700 detidos suspeitos de pertencerem ao Estado Islâmico da Síria para o Iraque.
As prisões sírias onde estavam anteriormente detidos eram controladas por forças curdas.
As autoridades também evacuaram o campo de al-Hol na semana passada para outro local no norte da Síria, após a fuga de milhares de familiares de extremistas estrangeiros que ali se encontravam retidos.
A retirada norte-americana acontece numa altura em que os Estados Unidos concentram as capacidades militares em torno do Irão, país que ameaçam atacar caso não cheguem a acordo sobre o programa nuclear iraniano.
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