Executivo francês afirmou que investimento de quase 2.500 milhões de euros para o desenvolvimento de um avião franco-alemão "vai permitir que se continue a trabalhar num caça com vista a 2040".
França afirmou esta quarta-feira que conseguirá ter um novo caça até 2040 apesar de ter abandonado o projeto dum avião franco-alemão de nova geração, enquanto a Alemanha prometeu dar continuidade à cooperação em matéria de Defesa.
Em declarações perante o Senado, a ministra da Defesa francesa, Catherine Vautrin, afirmou que o investimento de quase 2.500 milhões de euros para o desenvolvimento de um avião franco-alemão "vai permitir que se continue a trabalhar num caça com vista a 2040".
Recordou que metade desse investimento era totalmente "soberano" e que a França possui o único grupo de indústrias, entre as quais citou a Dassault, a Safran, a Thales e as suas associadas, "capaz de produzir um avião de combate de forma totalmente autónoma".
Por seu turno, o chanceler alemão, Friedrich Merz, prometeu hoje dar continuidade à colaboração franco-alemã em matéria de Defesa.
"O Presidente Emmanuel Macron e eu não levámos de ânimo leve esta questão do caça franco-alemão", afirmou Merz na Feira Internacional Aeronáutica e Espacial (ILA) em Berlim, onde sublinhou que ambos fizeram durante meses tudo o que estava ao seu alcance para facilitar um acordo entre a Airbus e a francesa Dassault, que pretendia assumir a liderança do ambicioso projeto que visava substituir, a partir de 2040, os Eurofighter e os Rafale.
O chanceler quis deixar claro que a decisão tomada por ambos os líderes na passada sexta-feira de pôr fim ao projeto, também conhecido como Futuro Sistema Aéreo de Combate (FCAS) e no qual também participava a espanhola Indra, não só "desbloqueia" um programa que estava estagnado há anos, como abre à indústria "novas possibilidades de avançar na construção de aviões de combate modernos por outras vias", afirmou.
Além disso, acrescentou, ambos os governos apresentarão nessa reunião um plano de trabalho conjunto atualizado para a cooperação industrial no domínio da Defesa.
"Queremos concretizar alguns projetos relevantes, mas que sejam exequíveis e que tenham um impacto real na nossa segurança comum, e queremos também desenvolver uma melhor governação para os nossos projetos", afirmou o líder alemão.
Merz enfatizou ainda que, neste contexto, ambos os países continuarão a trabalhar na dissuasão nuclear.
"Queremos continuar a avançar juntos com determinação na implementação da iniciativa de dissuasão nuclear avançada do Presidente Macron, e outros Estados europeus participarão nessa iniciativa. Estamos a seguir uma abordagem franco-alemã clara, mas também europeia", destacou Merz.
O chanceler alemão enfatizou a cooperação franco-alemã depois de algumas capitais europeias, incluindo Espanha, terem manifestado preocupação com o fracasso do projeto do caça de sexta geração.
Paris e Berlim anunciaram o abandono do caça de nova geração que estavam a desenvolver em conjunto para substituir o Eurofighter alemão e o Rafale francês, numa altura em que a Europa procura reforçar a sua soberania na área da Defesa.
Lançado em 2017, o programa, ao qual a Espanha aderiu dois anos mais tarde, deveria concretizar-se num novo avião de combate em 2040.
A Alemanha deu a entender que poderá relançar um projeto próprio com o apoio da Airbus e de outros fabricantes alemães.
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