Governo são-tomense não concluiu os seus processos de enquadramento na administração pública.
Um grupo de funcionários de saúde são-tomense disse este sábado à Lusa que não recebe salário, em alguns casos há quatro anos, porque o Governo são-tomense não concluiu os seus processos de enquadramento na administração pública.
Nesta situação estarão, segundo relataram à Lusa, cerca de 380 funcionários que têm prestado serviços como maqueiros, auxiliares de ação médica, motoristas e nos setores administrativos e financeiros no Hospital Central e nas unidades de saúde distritais.
A maioria foi recrutada pelo anterior Governo, sobretudo no período da pandemia de covid-19, e os mais recentes pelo atual executivo devido à vaga de emigração que tem afetado o país nos últimos anos.
"Estamos ali trabalhando, fazendo piquete, não nos dão satisfações. Somos pais de família, temos dificuldades [...], ninguém nos dá satisfação, anos vêm, anos vão e ninguém nos dá satisfação", disse Waldemar Torres, em declarações à Lusa.
"O sistema está falido, está altamente corrupto, porque existem elementos que entraram há três meses, há seis meses e já receberam, e nós estamos já há anos e não nos dão satisfação", acrescentou.
Segundo este grupo, está nesta situação a maioria do pessoal de apoio do sistema nacional de saúde são-tomense, que agora ameaça paralisar os serviços.
Ludmila Quaresma, que trabalha há um ano como auxiliar de ação médica na maternidade do hospital central, salientou que são principalmente as crianças, os filhos dos trabalhadores que estão a sofrer.
"Ministros que entraram agora no Governo não estão a receber o salário? [...] Principalmente os nossos filhos estão a sofrer, não temos nada para dar crianças para comer [...], há quem não tenha dinheiro para pagar a renda. Como é que vai ser a nossa vida", questionou.
Estes funcionários estão agora na tutela da ministra da Saúde e Direitos da Mulher, Ângela Costa, a quem pedem uma solução rápida.
"Ministra tem que entender que a fome dói, não é fácil. Eu tenho seis crianças", reclamou, Vânia Jordão.
O grupo referiu ainda que, após vários anos a tentar "nos bastidores" que a situação fosse resolvida, viu-se agora forçado a falar publicamente, apesar do medo de possíveis retaliações.
"Eu já fiz cinco, seis documentos que estão em casa que nenhum salário saiu até agora [...], é melhor o Estado, ministros, todo o Governo resolver o nosso problema, senão ninguém vai trabalhar", disse Jucelina Telmo, mãe de seis filhos que trabalha na psiquiatria há dois anos.
A Lusa tentou contacto o Ministério da Saúde e Direção do Hospital central, mas não teve sucesso.
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