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Futebolista marroquina morreu afogada na travessia para Ceuta. Teve visto aprovado para Espanha no mesmo dia

Jovem de 26 anos sonhava jogar futebol profissionalmente.

13 de agosto de 2026 às 10:23

Faten Ben Omar El Azizi, uma jovem marroquina de 26 anos que sonhava chegar à Europa através do futebol, morreu a 30 de julho, ao tentar atravessar a fronteira a nado até Ceuta. Nesse mesmo dia, a mãe recebeu a notícia de que a rapariga tinha conseguido um visto para viajar para Espanha. 

O futebol era o grande sonho da jovem marroquina que jogava há vários anos na liga regional feminina pelo Maghreb Atlético Tetuán, clube no norte de Marrocos, cuja camisola apresenta cores semelhantes às do Atlético de Madrid. Aos 26 anos, treinava duas vezes por semana: às terças-feiras no campo e às quintas-feiras junto à praia, de acordo com o jornal The Guardian.

Viver exclusivamente do futebol era impossível. Recebia cerca de 260 dirhams, aproximadamente 60 euros, quando a equipa ganhava e nada quando perdia. O valor era insuficiente para ajudar a sustentar a mãe, dois irmãos e outros familiares. O pai morreu quando Faten tinha apenas 12 anos.

Para conseguir mais dinheiro, trabalhava no cemitério mais antigo de Tetuão, onde limpava campas e vendia pequenos ramos de rayan - manjericão associado a tradições funerárias muçulmanas. Agora, é nesse mesmo cemitério que está enterrada.

Visto chegou tarde demais

O acontecimento que já era trágico tornou-se mais cruel quando a mãe de Faten recebeu, no dia da morte da filha, uma chamada telefónica. Um funcionário informou-a de que o visto espanhol de Faten tinha sido aprovado e que a jovem deveria deslocar-se ao consulado espanhol em Tânger.

Jamilla, mãe de Faten, desconhecia que a filha tinha pedido um visto. Também não sabia que tipo de visto tinha solicitado ou qual seria o destino da viagem. Acredita que Faten estaria a tentar obter o documento através de contactos informais e que não esperava que o pedido fosse aprovado.

"Ela sonhava chegar à Europa através do futebol", contou Jamilla.

Nas semanas que antecederam a morte, porém, a jovem tinha mudado de comportamento. Tornara-se mais calada, triste e distante. "Parecia desligada", recordou a mãe. Quando Faten desapareceu, a família procurou-a durante toda a noite.

Foi a tia, irmã da mãe, que acabou por identificar o corpo de Faten, uma vez que a mãe não conseguiu entrar no local onde estavam os corpos das pessoas que tinham morrido: "Não queria que aquela imagem ficasse gravada na minha memória", explicou.

Segunda perda para a mãe

Depois de descobrir que a filha tinha tentado chegar a Ceuta, a mãe soube que os outros dois filhos também tinham seguido o mesmo caminho. O filho mais velho conseguiu chegar ao território espanhol e telefonou à mãe. Já a filha de 14 anos continua desaparecida, embora a família acredite que também tenha conseguido chegar a Ceuta.

"Agora estou sozinha sem os meus filhos", lamentou Jamilla.

A morte de Faten ocorreu num contexto de crescente insatisfação entre os jovens marroquinos. Cerca de 40% dos jovens entre os 15 e os 24 anos estavam desempregados no país no ano passado, enquanto os salários de quem consegue emprego continuam baixos.

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