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Futebolista obrigado a andar nu por favela

Novas informações conseguidas pela polícia do Rio de Janeiro sobre o rapto e tortura do futebolista Bernardo, do Vasco da Gama, que no final do mês passado teria sido apanhado com a mulher do chefe do tráfico de droga do Complexo da Maré, naquela cidade brasileira, mostram que o atleta e a alegada amante também foram humilhados publicamente.

04 de maio de 2013 às 19:25

De acordo com informações do chefe das investigações, inspetor José Pedro da Costa, titular da Esquadra de Bonsucesso, Bernardo e Dayana foram exibidos nus aos habitantes da comunidade.

Depois de ser apanhado numa casa da favela Salsa e Merengue, que faz parte do Complexo da Maré, com a exuberante Dayana Rodrigues, presumivelmente mulher do traficante 'Menor P', e ser dominado e amarrado por este e outros criminosos, Bernardo e a jovem tiveram toda a roupa arrancada, inclusivé as peças mais íntimas. Depois, completamente nús, os dois alegados amantes foram obrigados a dar um longo passeio pelas vielas da favela Vila Pinheiro, também dominada por 'Menor P', que na verdade se chama Marcelo Santos das Dores, numa exibição do poder deste, que com o ato deixou claro que quem se atreve a enfrentá-lo ou a traí-lo paga com a morte, destino que ia ser dado ao casal de amantes.

Levados para uma casa na Vila João, no mesmo complexo, Bernardo e Dayana foram brutalmente espancados e torturados com uma máquina de choques elétricos empunhada por 'Menor P'. Ainda segundo a investigação, o chefe traído forçou a própria mulher a fazer sexo oral a Bernardo, numa espécie de presente de despedida antes de serem mortos.

SALVOS POR UM TRIZ

O futebolista do Vasco, que narrou todo o ocorrido ao clube mas que publicamente nega tanto o rapto e a tortura quanto o envolvimento com a mulher do temido chefe do tráfico, só escapou da morte graças à intervenção de um jogador do Palmeiras, de São Paulo. Nascido no Complexo da Maré, o futebolista Charles, de acordo com o inspetor, foi quem salvou a vida de Bernardo, já condenado à morte pelo traficante traído, intercedendo pelo colega junto do criminoso.

“Se não fossem os argumentos usados por Charles, o Bernardo ia ser morto. Mas o Charles convenceu o traficante de que se o Bernardo fosse morto, no dia seguinte a polícia ia invadir a favela para procurar o corpo e encontrar o responsável”, contou José Pedro da Costa.

Pensando mais no milionário negócio da venda de estupefacientes do que na traição sofrida, 'Menor P' decidiu então deixar Bernardo e Dayana vivos, mas não sem antes lhes dar um pesado castigo. O jogador, mais tarde retirado da favela no carro de Charles, foi espancado e longamente torturado, e Dayana, além das torturas, foi baleada com sete tiros nas pernas, supostamente para não andar atrás de outros homens.

Apesar de todos os detalhes e depoimentos já recolhidos durante a investigação, Bernardo e Dayana negam o envolvimento e o doloroso episódio. O futebolista desmente que algo semelhante tenha ocorrido, e Dayana disse à polícia que foi atingida acidentalmente por balas perdidas durante troca de tiros entre desconhecidos na favela.

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