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Governo britânico proibe voos com origem em Portugal para travar estirpe brasileira

Anúncio foi feito pelo ministro dos Transportes britânico.
Correio da Manhã 14 de Janeiro de 2021 às 16:11
Avião
Avião FOTO: Getty Images
O Governo britânico anunciou hoje que vai suspender ligações aéreas de Portugal e Cabo Verde para Inglaterra para tentar impedir a entrada da estirpe brasileira do SARS-CoV-2, e proibiu também chegadas do Brasil e de outros países sul-americanos.

"Tomei a decisão urgente de proibir chegadas da Argentina, Brasil, Bolívia, Cabo Verde, Chile, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Panamá, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela a partir de sexta-feira após informação sobre uma nova variante no Brasil", anunciou o ministro dos Transportes, Grant Shapps, através da rede social Twitter. 

As viagens de Portugal para o Reino Unido também serão suspensas "devido aos seus laços fortes com o Brasil, funcionando como mais uma forma de reduzir o risco de importação de infeções", acrescentou. 

No entanto, o Governo britânico vai isentar deste bloqueio os camionistas que viajem a partir de Portugal para permitir a circulação de bens essenciais e também aos cidadãos britânicos e irlandeses e nacionais de países terceiros com direito de residência, que poderão entrar no país, mas cumprir quarentena de 10 dias. 

A decisão foi tomada hoje de manhã em uma reunião do comité ministerial Covid-O, com base em informação de especialistas do Grupo Consultivo de Ameaças de Vírus Respiratórios Novos e Emergentes (Nervtag) sobre novos vírus, composto por cientistas que aconselham o Governo sobre a pandemia de covid-19.

Fontes governamentais disseram ao The Guardian que os governos regionais autónomos apoiaram a decisão de Shapps, e que o País de Gales e a Escócia deverão anunciar medidas semelhantes em breve.

Os voos diretos entre o Brasil e o Reino Unido já haviam sido proibidos no mês passado, quando o governo brasileiro tentou impedir que a estirpe britânica do vírus, altamente transmissível, chegasse ao país.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, tinha revelado na quarta-feira estar preocupado com uma nova estirpe originária do Brasil do SARS-CoV-2, o vírus que causa a covid-19, e indicou estar a preparar medidas para impedir a sua entrada no Reino Unido.

"Estamos preocupados com a nova estirpe brasileira. (...) Já temos medidas duras para proteger este país de novas infeções vindas do estrangeiro. Estamos a tomar medidas para fazê-lo em relação à estirpe brasileira", afirmou, durante uma audição com a Comissão de Ligação, composta pelos presidentes das diferentes comissões parlamentares. 

O chefe do Governo britânico disse que ainda existem "muitas dúvidas" sobre a estirpe, incluindo se ela resistente às vacinas, tal como não se sabe em relação à estirpe sul-africana. 

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o maior centro de investigação médica da América Latina, confirmou na terça-feira a identificação e circulação de uma nova estirpe do novo coronavírus originária do estado brasileiro do Amazonas.

Esta semana, o Ministério da Saúde do Brasil já tinha confirmado que o Japão identificou em quatro viajantes provenientes do Brasil a nova estirpe, que possui doze mutações, incluindo a mesma encontrada em variantes já identificadas no Reino Unido e África do Sul, o que implica um maior potencial de transmissão do vírus.

O Daily Telegraph noticiou hoje que a estirpe da Covid brasileira pode infetar pessoas que recuperaram do vírus, depois de cientistas terem descoberto que a nova estirpe brasileira sofreu mutações que a tornam mais infecciosa e tem alterações que a ajudam a escapar às defesas do sistema imunológico.

Um estudo publicado no ano passado sugeriu que 76% das pessoas em Manaus contraíram o coronavírus em outubro, o que deveria ter produzido imunidade de grupo, mas a cidade registou um aumento inesperado de novos casos no mês passado e agora declarou estado de emergência, com hospitais a atingir 100% da capacidade.

O Telegraph cita um novo estudo internacional que inclui cientistas do Imperial College e da Universidade de Edimburgo, que descobriu que 41% dos casos atuais em Manaus são causados pela nova estirpe.

O Reino Unido já tinha proibido voos diretos da África do Sul e a entrada de passageiros que tenham estado no país africano nos 10 dias anteriores devido ao risco apresentado por uma nova estirpe do SARS-CoV-2 identificada pelos cientistas sul-africanos, também considerada altamente infecciosa.

Na semana passada, estas restrições foram alargadas a vários países africanos, como Angola e Moçambique, por terem ligações com a África do Sul.

Açores e Madeira
Os corredores de viagem internacional do Reino Unido com os arquipélagos da Madeira e dos Açores vão fechar na sexta-feira e as ligações aéreas suspensas, tal como Portugal continental, devido à estirpe brasileira do coronavírus, clarificou o Governo britânico. 

Até agora, os passageiros com origem na Madeira e Açores estavam isentos de cumprir a quarentena de 10 dias exigida à maioria dos viajantes que chegam do estrangeiro, mas a partir das 04:00 de sexta-feira deixam de estar na lista de destinos seguros. 

"Os corredores de viagens com o Chile, Madeira e Açores serão encerrados. Qualquer pessoa que chegue desses países a partir das 04:00 de sexta-feira será legalmente obrigada a ficar em isolamento durante dez dias", adiantou o Ministério dos Transportes britânico num comunicado.

Com menos de 12 horas de aviso, o Governo britânico anunciou hoje a "decisão urgente" de proibir viagens para o Reino Unido de vários países da América do Sul, de Portugal e de Cabo Verde, para evitar a propagação de uma nova estirpe do SARS-CoV-2, o vírus que causa a covid-19. 

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