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Governo de transição da Guiné-Bissau afirma que carta sobre detidos políticos é falsa

De acordo com a carta do chefe da diplomacia do Governo de transição guineense, os três teriam afirmado que só sairão da prisão "caso o cidadão Domingos Simões Pereira seja igualmente libertado".

05 de janeiro de 2026 às 12:42

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de transição da Guiné-Bissau, João Bernardo Vieira, afirmou esta segunda-feira que é falsa uma carta posta a circular sobre detidos políticos, alegadamente assinada por si e dirigida à CEDEAO.

"Aqui na Guiné-Bissau as pessoas têm o hábito de inventarem e falsificarem tudo. É fake news", disse, contactado por telefone pela agência Lusa a partir de Lisboa.

O ministro referia-se à carta divulgada na sexta-feira por vários meios de comunicação social nacionais e internacionais, alegadamente da sua autoria e dirigida ao presidente da comissão da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO), Omar Alieu Torai.

Na missiva, alegadamente subscrita por João Bernardo Vieira, este informa Touray que as autoridades competentes procederam à libertação de três cidadãos guineenses detidos, mas que estes se terão recusado a sair da prisão sem o presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira.

De acordo com a carta do chefe da diplomacia do Governo de transição guineense, os três teriam afirmado que só sairão da prisão "caso o cidadão Domingos Simões Pereira seja igualmente libertado".

"Cumpre-nos esclarecer que, segundo os órgãos judiciais, o cidadão Domingos Simões Pereira encontra-se sujeito a questões de foro judicial em curso, razão pela qual se encontra ainda detido", refere-se no documento.

O ministro disse que o documento é falso e remeteu para a página do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau no Facebook o que classifica de esclarecimento, uma vez que está publicada a carta, carimbada com a palavra "fake news".

"É falso, sim. Se for verdadeiro não temos problema em assumir que é verdadeiro. É fake news, completamente", sublinhou à Lusa.

Questionado sobre a existência, ou não, de acusações pendentes contra os detidos políticos, João Bernardo Vieira disse que, em breve, "haverá uma posição do Alto Comando Militar relativamente a esta questão", escusando-se a dar mais esclarecimentos sobre a situação dos detidos.

Entre outras recomendações, uma cimeira de líderes da CEDEAO, ocorrida na Nigéria, no dia 14 de dezembro último, instou as autoridades de transição instituídas com o golpe militar de 26 de novembro na Guiné-Bissau à libertação de todos os dirigentes políticos.

A família de Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC e presidente eleito do parlamento guineense dissolvido no final de 2023, tem repetido aos órgãos de comunicação social que ainda não conseguiu visitar o político, nem o seu advogado ou organizações dos Direitos Humanos.

No passado dia 23 de dezembro, o Alto Comando Militar ordenou a libertação de seis dos detidos, nomeadamente elementos do corpo de segurança e motoristas dos políticos.

Um autodenominado "alto comando militar" tomou o poder em 26 de novembro último, três dias depois das eleições gerais (presidenciais e legislativas) e um dia antes da data anunciada para a divulgação dos resultados na Guiné-Bissau.

O Presidente Umaro Sissoco Embaló foi destituído e encontra-se fora do país, enquanto o candidato da oposição Fernando Dias, que reclama vitória nas eleições, se encontra refugiado na Embaixada da Nigéria em Bissau.

*** A delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses. A cobertura está a ser assegurada à distância ***

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