page view
Imagem promocional da micronovela
MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

Governo guineense anuncia arquivamento do caso dos passaportes apreendidos em Portugal

Passaportes foram apreendidos em maio de 2025 no aeroporto de Lisboa, quando a polícia intercetou um homem de 47 anos que trazia na mala 353 passaportes emitidos pela República da Guiné-Bissau.

23 de abril de 2026 às 15:06

O ministro da Justiça da Guiné-Bissau, Carlos Pinto Pereira, anunciou esta que as autoridades portuguesas arquivaram o processo relativo à apreensão de 353 passaportes guineenses há cerca de um ano no aeroporto de Lisboa.

O processo foi investigado, arquivado e os passaportes já foram devolvidos à Guiné-Bissau, segundo afirmou esta quinta-feira o governante, numa conferência de imprensa, em Bissau, transmitida pela imprensa guineense.

Os passaportes foram apreendidos em maio de 2025 no aeroporto de Lisboa, quando a polícia intercetou um homem de 47 anos que trazia na mala 353 passaportes emitidos pela República da Guiné-Bissau em nome de cidadãos estrangeiros.

O cidadão guineense alegou estar a transportar os documentos para a representação diplomática da Guiné-Bissau em Bruxelas a pedido de um Alto Comissariado da peregrinação a Meca.

As autoridades portuguesas abriram um processo de investigação por "suposto crime de auxílio à imigração irregular", que foi agora arquivado, segundo o Governo guineense.

O ministro da Justiça disse esta quinta-feira que, na quarta-feira, os passaportes foram entregues pela Procurador-geral da República de Portugal à Embaixada da Guiné-Bissau em Lisboa.

Carlos Pinto Pereira manifestou satisfação pela conclusão do processo e considerou perfeitamente normal que as autoridades portuguesas tivessem investigado.

"Têm direito de investigar, não há nada de negativo, ilegal ou imoral neste processo. Chegaram à conclusão que não havia nada e arquivaram o processo", afirmou.

O governante guineense sublinhou que as autoridades portuguesas confirmaram aquilo que a Guiné-Bissau sempre disse, que os passaportes se destinavam a cidadãos que iriam participar na peregrinação anual a Meca.

O ministro reconheceu que os documentos "não foram transportados para Lisboa e para o seu destino, que era Bruxelas, da melhor forma".

"Foi utilizado recurso a um cidadão, um particular guineense que viajava para o estrangeiro, quando para saírem do território nacional para qualquer destino [os passaportes] deviam ir ou em mala diplomática ou a coberto de atenções especiais", indicou.

Lamentou, contudo, que as autoridades portuguesas tivessem divulgado o caso sem falarem com Bissau e que tenha sido noticiado dando "a ideia de quase um negócio obscuro associado a droga e outro tipo de tráfico ilícito, o que não corresponde à realidade".

"Os passaportes foram emitidos com o único propósito de as pessoas beneficiarem da peregrinação a Meca", reiterou, lembrando que "desde o primeiro momento as autoridades da Guiné-Bissau assumiram junto das autoridades portuguesas a responsabilidade pelos passaportes e pediram para devolver os passaportes, através da embaixada em Lisboa".

"Infelizmente as autoridades portuguesas entenderam fazer um processo de averiguações (...), o inquérito foi realizado pela Polícia Judiciária, foi encaminhado para o Ministério Público e hoje nós podemos afirmar que o processo foi arquivado porque não foi encontrado nada a não ser aquilo que o Governo da Guiné-Bissau fala desde o início", acrescentou.

O ministro lembrou que a emissão de passaportes a peregrinos a Meca é um processo habitual e que se destinam exclusivamente para aquele fim, são usados pontualmente e depois devolvidos.

Carlos Pinto Pereira indicou que "a Guiné-Bissau tem atualmente em Bruxelas centenas de passaportes que foram devolvidos por cidadãos que beneficiaram deles para efeitos de peregrinação".

Questionado sobre se espera um pedido de desculpas de Portugal, o governante guineense respondeu que "se o Governo português, depois do trabalho feito de forma independente pelos tribunais portugueses, chegar à conclusão que deve pedir desculpas à Guiné-Bissau", receberá "com todo o agrado uma atitude dessa natureza".

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Boa Tarde

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8