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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Governo Trump fecha definitivamente histórica agência de ajuda internacional USAID

USAID foi criada em 1961 pelo presidente John F. Kennedy para canalizar a ajuda externa americana para fins de desenvolvimento e assistência humanitária.

02 de julho de 2025 às 00:27

O Governo norte-americano liderado por Donald Trump anunciou esta noite o fim das operações da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), criada em 1961 e considerada durante décadas a maior distribuidora de ajuda humanitária do mundo.

A USAID estava em processo de desmantelamento desde fevereiro, quando começaram os cortes nas despesas públicas promovidos pelo magnata Elon Musk, mas, a partir desta terça-feira, o Departamento de Estado assume a gestão total de toda a assistência internacional dos EUA.

O secretário de Estado, Marco Rubio, frisou em comunicado que a USAID não cumpriu os seus objetivos desde o fim da Guerra Fria, além de ter criado uma rede de organizações não-governamentais (ONG) que viveram "à custa dos contribuintes americanos".

"Esta era de ineficiência chegou oficialmente ao fim. Sob a administração Trump, finalmente teremos uma ajuda externa que prioriza os nossos interesses nacionais", vincou.

Para Rubio, os cidadãos norte-americanos "não devem pagar impostos para financiar governos falidos em países distantes" e prometeu que, a partir de agora, "a ajuda será direcionada e limitada no tempo".

Durante o processo de encerramento, foi anunciado que, dos cerca de 10.000 funcionários e contratados da agência em Washington e dos seus escritórios em todo o mundo, apenas 294 permaneceriam para manter as operações mínimas.

O fim da USAID foi muito criticado por especialistas em ajuda humanitária e organizações internacionais, que alertam que o seu desaparecimento deixa uma enorme lacuna nos programas de saúde, educação e resposta a crises humanitárias.

Os ex-presidentes norte-americanos Barack Obama e George W. Bush endereçaram na segunda-feira raras críticas ao Governo Trump, enquanto o cantor Bono emocionou-se ao recitar um poema, num evento de despedida da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).

Um estudo coordenado pelo Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal) e publicado na revista The Lancet alertou que os cortes na ajuda norte-americana podem levar a mais de 14 milhões de mortes 'evitáveis' até 2030.

De acordo com o estudo, a USAID teve um impacto fundamental na redução da mortalidade por VIH/SIDA, malária e doenças tropicais negligenciadas em todo o mundo.

A USAID foi criada em 1961 pelo presidente John F. Kennedy para canalizar a ajuda externa americana para fins de desenvolvimento e assistência humanitária.

No entanto, a agência tem também sido criticada ao longo da sua história por utilizar a ajuda como ferramenta de influência política e favorecer os interesses estratégicos de Washington em detrimento das necessidades locais.

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