Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
2

Greve dos camionistas continua no Brasil e já para hospitais

Falta de bens essenciais como oxigénio e alimentos estão a condicionar rotinas de alguma unidades hospitalares.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 26 de Maio de 2018 às 17:30
Greve dos camionistas no Brasil
Greve dos camionistas no Brasil
Greve dos camionistas no Brasil
Greve dos camionistas no Brasil
Greve dos camionistas no Brasil
Greve dos camionistas no Brasil
Greve dos camionistas no Brasil
Greve dos camionistas no Brasil
Greve dos camionistas no Brasil

Desencadeada na passada segunda-feira em protesto contra os aumentos diários dos combustíveis, a greve dos camionistas, que bloqueiam estradas em 25 dos 27 estados do Brasil, entrou este sábado no sexto dia apesar do endurecimento do Governo do presidente Temer e já afecta drásticamente até hospitais por todo o país. Sem receberem productos essenciais de que eram abastecidos diariamente, hospitais de pequenas e grandes cidades por todo o país foram forçados a mudar as suas rotinas.

Em diversas unidades hospitalares, foram canceladas todas as cirurgias não emergentes por falta, entre outros, de oxigénio, ficando o pouco que ainda existe reservado para os pacientes já internados e para casos de urgência que possam surgir. Outra medida adoptada por diversos hospitais por todo o Brasil foi suspender o fornecimento de refeições aos funcionários, aconselhados a levarem a própria comida de suas casas, para que se possa garantir alimentação às pessoas internadas.

Outro setor onde a situação fica cada vez mais grave é o dos transportes. No Rio de Janeiro, onde sexta-feira a frota de autocarros foi reduzida para 50% por falta de combustível, este sábado apenas 23% dos colectivos circulavam, e em São Paulo a redução foi de 50%, havendo cidades, como João Pessoa, capital do estado da Paraíba, onde não há transportes desde quinta-feira.

A recolha do lixo também foi suspensa em cidades por todo o território brasileiro, e táxis, carros de aplicativos e outros também começam a escassear nas ruas, pois a maior parte dos postos não tem mais combustíveis para fornecer. Nos poucos que ainda funcionam, longas filas se formam, tanto de automobilistas com os seus carros quanto de pessoas que já ficaram a pé e tentam encher ao menos uma lata ou um balde com combustível.

Pelo menos 11 aeroportos do Brasil já não têm querosene para abastecer os aviões. No de Brasília, pelo menos 40 voos previstos para este sábado foram cancelados, e o aeroporto da capital federal, tal como o de Recife e outros nove, só permite a aterragem de aviões que tenham combustível para seguir viagem.

Nos supermercados já falta um pouco de tudo e algumas redes, como a do Carrefour, começaram a limitar o número de productos que cada cliente pode levar, para tentarem evitar o desabastecimento total. Até a polícia já mal se vê nas ruas, porque também enfrenta a falta de combustível para os seus carros e reserva o que tem para situações de emergência.

Depois de o presidente Michel Temer ter decretado sexta-feira o uso de forças federais, incluindo o Exército, para tentar acabar com os bloqueios nas estradas e retomar a normalidade do abastecimento no país, pouca coisa mudou. Camionistas que bloqueavam mais de 500 estradas na sexta desbloquearam pouco mais de 100 vias este sábado, mas mantiveram-se parados nas bermas das rodovias, continuando a reter as mercadorias que transportavam.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)