Secretário-geral da ONU acredita que não é possível que os EUA repitam uma invasão militar como a que levaram a cabo na Venezuela.
O secretário-geral das Nações Unidas defendeu esta segunda-feira que "não há qualquer solução militar" para Cuba e pediu um "diálogo construtivo" na sequência das ameaças de invasão por parte do Presidente norte-americano.
"Estamos muito preocupados com a situação humanitária em Cuba e acreditamos que não há qualquer solução militar que se possa procurar para Cuba. Precisamos de um diálogo construtivo para garantir que o povo cubano não continue a sofrer de forma tão dramática", afirmou António Guterres numa conferência de imprensa na sede da ONU em Nairobi.
O secretário-geral das Nações Unidas referiu ainda que acredita que "não é possível que se repita [em Cuba] uma situação semelhante" à operação militar lançada pelos Estados Unidos em janeiro passado contra a Venezuela, que culminou na captura do ex-presidente daquele país, Nicolás Maduro, porque a situação na Venezuela "era completamente diferente".
"Na Venezuela, honestamente, assistimos a uma operação militar contra Maduro, mas tenho a impressão de que houve grandes cumplicidades dentro do sistema político venezuelano", sublinhou Guterres.
"Por isso, comparar a Venezuela com Cuba parece-me uma comparação injusta", concluiu.
Washington tem aplicado um bloqueio petrolífero à ilha caribenha desde que as Forças Armadas norte-americanas capturaram Maduro em janeiro deste ano.
Após a captura, os Estados Unidos suspenderam o envio de petróleo venezuelano para Havana e ameaçaram aplicar tarifas a todos os países que o fizessem.
Além do embargo energético, que tem provocado apagões generalizados em todo o país, a administração Trump tem pressionado o Governo cubano liderado pelo Presidente, Miguel Díaz-Canel, a se demitir.
O secretário-geral reiterou, igualmente, a rejeição da ONU às sanções impostas contra Cuba por Washington e sublinhou que "violam o Direito Internacional".
Guterres fez estas declarações depois de Trump ter afirmado, no passado dia 01, que assumirá o controlo de Cuba "quase imediatamente" após concluir o trabalho no Irão, em referência à ofensiva iniciada em conjunto com Israel no final de fevereiro contra a República Islâmica.
Além disso, o Presidente dos Estados Unidos assinou nesse dia um novo decreto para alargar o âmbito das sanções contra Havana, de modo a abranger praticamente qualquer pessoa ou empresa não norte-americana que mantenha relações comerciais com a ilha, especialmente nos setores da energia, da defesa, da segurança e das finanças.
De acordo com a nova ordem executiva, qualquer pessoa ou empresa que opere nesses setores ou faça negócios com o Governo cubano poderá ver os seus ativos nos EUA totalmente bloqueados.
Desde janeiro passado, Washington intensificou a pressão económica sobre Havana com um bloqueio petrolífero que impediu quase totalmente a entrada de crude e combustíveis do exterior, ao mesmo tempo que instou o Governo cubano, em diversas ocasiões, a mudar o sistema económico e o regime político da ilha.
Ambas as partes reconheceram que mantêm conversações há mais de um mês, mas, por enquanto, não foram divulgados os temas ou os avanços neste diálogo.
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