ICE passará a ter intervenção direta nos procedimentos de controlo de segurança dos passageiros.
O chefe da segurança fronteiriça norte-americana confirmou este domingo que os aeroportos passam a contar com a presença de agentes do Serviço de Controlo de Imigração e Alfândega (ICE) a partir de segunda-feira para colmatar a falta de pessoal.
Em declarações à CNN, Tom Homan disse que o ICE passará a ter intervenção direta nos procedimentos de controlo de segurança dos passageiros, uma tarefa habitualmente desempenhada por funcionários da Administração de Segurança nos Transportes (TSA).
Os agentes estarão nos aeroportos "para ajudar a TSA a fazer avançar as filas" de espera, disse, explicando que os profissionais do ICE ficarão encarregados de realizar tarefas de segurança simples, como a vigilância das portas de saída, para os agentes da TSA se concentrarem nos postos de controlo especializados.
"Não veremos um agente do ICE a supervisionar um 'scanner' de raio X, porque não foi treinado para isso", afirmou.
A presença de elementos do ICE nas infraestruturas aeroportuárias dos Estados Unidos da América (EUA) já tinha sido admitida pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, que no sábado disse que o faria para tratar da segurança das infraestruturas.
Os tempos de espera nos controlos de passageiros têm vindo a prolongar-se por horas, pela ausência de agentes do TSA, no âmbito de uma paralisação orçamental.
Numa publicação feita este domingo na rede social Truth Social, onde confirmou que "o ICE irá para os aeroportos para ajudar" os "maravilhosos agentes da TSA", Donald Trump responsabilizou os democratas pela situação nos aeroportos, acusando o partido da oposição de se preocupar "em proteger criminosos perigosos que entraram ilegalmente" no país e de colocar "os EUA em perigo ao reterem o dinheiro que já há muito foi acordado através de contratos assinados e selados".
Os democratas justificam o bloqueio orçamental do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS, na sigla em língua inglesa) com as ações do ICE, às quais pretendem impor restrições significativas.
À semelhança do TSA, também o ICE depende deste departamento, cuja paralisação orçamental parcial está a ter implicações no pagamento de salários desde meados de fevereiro.
De acordo com dados do DHS, mais de 350 agentes saíram desde o início da paralisação e as ausências têm-se mantido, desde então, acima dos 9%.
A crise obrigou à colocação de milhares de funcionários federais em regime de licença sem vencimento e, neste momento, só estão em atividade os que têm funções consideradas essenciais, o que tem feito aumentado os tempos de espera nos aeroportos.
As filas nos controlos de segurança têm vindo a repetir-se, havendo esperas de várias horas para que os passageiros consigam chegar à sala de embarque.
O empresário norte-americano Elon Musk ofereceu-se no sábado, na rede social X, para pagar os salários dos agentes da TSA "durante o impasse orçamental que afeta negativamente a vida de tantos americanos nos aeroportos do país".
De acordo com várias estimativas, o salário médio anual dos agentes situa-se entre 50.000 e 60.000 dólares, o que representa um orçamento de 2.500 a 3.000 milhões de dólares para um ano completo.
A oposição dos democratas intensificou-se após a morte de Renee Good e de Alex Pretti, com algumas semanas de intervalo em janeiro. Os dois norte-americanos foram mortos a tiro por agentes federais em Minneapolis, no Minnesota, levando a grandes manifestações por todo o país.
O Conselho Americano de Imigração denunciou que pelo menos seis pessoas morreram sob custódia do ICE em janeiro deste ano em centros de detenção no Texas, Pensilvânia, Geórgia e Califórnia.
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