Índios não têm qualquer noção de que existem outros seres humanos, logo não distinguem se uma pessoa é ou não inimiga.
Num trágico incidente ocorrido na tarde desta quarta-feira, 9 de Setembro, o indigenista brasileiro Rieli Franciscato foi morto com uma flecha certeira no peito por índios isolados primitivos que tentava proteger de contactos com brancos invasores das suas terras no estado de Rondónia, norte do Brasil. Rieli, de 56 anos, era uma referência muito respeitada na defesa de tribos dos chamados índios isolados, que nunca tiveram contacto com brancos ou outros índios, e vivem em regiões remotas da Amazónia como os seus antepassados viviam desde muito antes da chegada dos portugueses ao Brasil.
O indigenista, que era coordenador da Frente de Protecção Etnoambiental da Terra Uru-eu-wau-wau, em Rondónia, uma àrea muito isolada onde ainda vivem índios sem qualquer conhecimento ou contacto com o mundo exterior, tinha ido à região depois de relatos de agricultores brancos que vivem na floresta de que indígenas primitivos tinham sido avistados a rondar propriedades vizinhas à terra demarcada. Rieli, um defensor ferrenho da continuidade do isolamento desses índios nunca antes contactados, para que eles preservem as suas características originais e mantenham os seus hábitos, correu para a região de Seringueiras, a mais de 500 km de Porto Velho, capital de Rondónia, para tentar evitar um encontro e um mais que provável conflito entre esses índios primitivos e agricultores que ergueram as suas propriedades no meio da selva, nas redondezas da reserva indígena.
Segundo o relato de um agente da Polícia Militar que o acompanhou até ao local onde os índios tinham sido avistados, o ataque mortal aconteceu logo depois de Rieli ter começado a subir uma encosta à entrada da área indígena. Segundo ele, de repente ouviu-se o silvo de uma flecha a cruzar os ares, o impacto dela com o peito de Rieli e um grito angustiante do indigenista.
Ainda de acordo com a narrativa do agente, Rieli arrancou a flecha do peito com as próprias mãos e correu entre 50 a 60 metros em direcção ao amigo da polícia e outra militar que o acompanhavam e caiu aos pés deles, muito ferido. Os dois elementos da Polícia Militar carregaram o famoso indigenista pelo meio da floresta até onde tinham deixado o carro e levaram-no às pressas para o hospital de Seringueira, mas ele morreu no caminho.
Ataques deste tipo não são comuns mas também não são inéditos, e já custaram a vida a outros indigenistas e a invasores de terras de índios isolados. Esses índios não têm qualquer noção de que existem outros seres humanos e, como não sabem o que fazer quando encontram algum e não sabem se é amigo ou inimigo, atacam com ferocidade, ou com flechas e lanças que eles mesmos produzem ou com as temidas bordunas, grandes pedaços de madeira com que literalmente destroem a cabeça dos que julgam uma ameaça.
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