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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Israel oferece ajuda ao Brasil para encontrar vítimas da barragem de Minas Gerais

Bolsonaro aceitou a ajuda de equipa especializada em lidar com cenários de catástrofe.

26 de janeiro de 2019 às 23:07

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ligou este sábado para o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e ofereceu a ajuda de militares israelitas no resgate de vítimas da barragem de resíduos de ferro da Vale que rebentou ao início da tarde de sexta-feira em Brumadinho, no interior do estado brasileiro de Minas Gerais, deixando um número ainda não determinado de mortos, feridos e desaparecidos.

Bolsonaro anunciou depois no seu twitter que aceitou a oferta de ajuda de Netanyahu, de quem ficou muito próximo desde a posse, ocorrida em Brasília em 1 de Janeiro passado.

Segundo fontes do governo israelita contactadas no final da tarde de sexta-feira, a essa hora um avião do exército de Israel já estava a postos para voar para o Brasil. Uma força de esforço concentrado formada por médicos, socorristas especializados em actuação em áreas de tragédia e outros profissionais estava a essa hora a ser ultimada para rumar até Brumadinho, não tendo no entanto sido informado se a viagem ocorreria ainda ontem.

Além dos profissionais habituados a actuar em áreas de catástrofes, Israel vai enviar ao Brasil também equipamentos de última geração no resgate de vítimas de desastres como o da barragem. Entre esses equipamentos estão sonares que conseguem captar sons mínimos, até de pessoas soterradas a vários metros, e outros que captam o calor humano e que conseguem identificar se há corpos sob toneladas de escombros.

A oferta de Netanyahu e a aceitação por parte de Bolsonaro dividiram as opiniões de especialistas ouvidos este sábado pela imprensa brasileira. Enquanto alguns afirmaram que num momento como este toda a ajuda é bem vinda, outros criticaram, avançando que o Brasil tem capacidade técnica e humana para responder a uma situação como a de Brumadinho, e que a conversa entre Bolsonaro e Netanyahu e a oferta de ajuda é um mero acto de propaganda política.

A rutura da barragem libertou em poucos minutos 13 milhões de metros cúbicos de lama tóxica repleta de resíduos de ferro e soterrou, além dos edifícios da própria empresa, onde estavam grande número de funcionários, casas de campo, pequenas propriedades rurais, comércios e uma pousada que existiam nas proximidades, e varreu do mapa o povoado de Vila Ferteco, onde viviam aproximadamente 600 pessoas. No final da tarde deste sábado, o saldo oficial de mortos era de 11, mas havia centenas de pessoas desaparecisas, temendo-se que ao menos parte delas esteja sob os milhares de toneladas de lama e escombros que soterraram a região.

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