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“O meu chefe beijou-me e isso não é normal”: Jenni Hermoso fala pela primeira vez em tribunal

Rubiales é acusado de agressão sexual pelo beijo à jogadora e de coação pela alegada pressão que exerceu sobre a mesma.

03 de fevereiro de 2025 às 11:50
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As imagens da chegada de Jenni Hermoso e Luis Rubiales a tribunal espanhol

Começou esta segunda-feira o julgamento de Luis Rubiales, ex-presidente da Federação Espanhola de Futebol, acusado de agressão sexual pelo beijo a Jennifer Hermoso no campeonato do Mundo de futebol feminino.

“O meu chefe beijou-me e isso não é normal”, afirmou a jogadora em tribunal. Jenni recordou que Rubiales não lhe deu hipótese para reagir. "Ele agarrou a minha cabeça efusivamente", afirma.

Em resposta ao Ministério Público, a jogadora deixou claro que o beijo não foi consensual.  "Sentiu a sua integridade sexual como mulher violada?", questionaram a atleta. A resposta foi clara: "Sim". 

O primeiro episódio recordado no interrogatório teve lugar nos corredores do estádio e envolveu a jogadora e Luis Rubiales. O ex-presidente demonstrou que queria falar com ela sobre o impacto que o beijo estava a ter na internet. Ainda que tivesse recusado, durante o processo terá sido pedido "inúmeras vezes" que a jogadora prestasse declarações.

Disse-me que se falava muito nas redes sociais, que estava a ficar complicado", explicou a jogadora. O ex-presidente terá também afirmado sobre poderem resolver o problema de alguma forma. A jogadora respondeu que teria de ser o ex-presidente a resolver porque a situação "não estava certa".

A "efusão do momento" foi a desculpa dada quando Jennifer demonstrou desconforto. Nesse episódio, Rubiales terá feito referência ainda à sexualidade da atleta: "tu e eu gostamos da mesma coisa’”.

"Recebi ameaças de morte"

A imagem do beijo foi capa de vários jornais nacionais e internacionais e foi repetidamente partilhada nas redes sociais durante vários dias. Ainda durante o interrogatório, a jogadora anunciou que recebeu "mensagens de todos os tipos", inclusive "ameaças de morte". 

Devido ao impacto do caso na vida pessoal, a atleta teve de "deixar Madrid porque a situação era insustentável". 

Os dias foram passando depois do polémico beijo e "ninguém" pediu desculpa. "Ninguém se dignou a perguntar-me como estava e o que se passava na minha cabeça", lamentou.

Quando a procuraram sentiu que era no sentido de os visados "salvarem a sua reputação" e não com preocupação, admitiu quando questionada pelo procurador Durántez. 

Duas horas e meia de declarações

A atleta esteve quase duas horas e meia a prestar declarações no tribunal, onde demonstrou os "sentimentos mistos" que sentiu na altura. Era uma vítima da circunstância que defendia desde o início do caso que "não estava certo", porém, também estava satisfeita com a vitória que o seu país conquistou no Campeonato do Mundo ao vencer a Inglaterra por 1-0 na final. 

Contudo, a vitória teve um sabor amargo. "Não preciso ficar a chorar numa sala para dizer que não gostei", respondeu a vítima às perguntas do advogado de Rubiales. 

Acusação

Rubiales é acusado de agressão sexual pelo beijo e de coação pela alegada pressão que exerceu na jogadora para que a mesma se pronunciasse depois de atitude que foi fortemente mediatizada no palco do campeonato do Mundo Feminino de 2023. 

O Ministério Público está a pedir dois anos e meio de prisão para o ex-presidente. 

A acusação também inclui Albert Luque, ex-diretor da seleção masculina e ex jogador de futebol, Jorje Vilda, ex-técnico da seleção feminina e Rubén Rivera, ex-responsável pelo marketing da Federação que estão acusados de participarem na coação. 

Os quatro homens estavam sentados no banco dos réus enquanto ouviam as declarações de Jennifer. Inclusive, Rubiales durante a sessão tirou notas e comentou as declarações com a sua advogada, Olga Tubau. 

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