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Keiko Fujimori promete aproximação a Washington se vencer presidenciais no Peru

Candidata de direita comprometeu-se a "restabelecer a ordem" durante os primeiros 100 dias no poder, se vencer as eleições.

11 de abril de 2026 às 07:10

A favorita às eleições presidenciais no Peru, Keiko Fujimori, prometeu na sexta-feira expulsar os migrantes em situação irregular, atrair mais investimentos norte-americanos e prolongar a onda conservadora que atravessa a região.

Numa entrevista concedida à agência France Presse na véspera das eleições deste domingo, a candidata de direita comprometeu-se a "restabelecer a ordem" durante os primeiros 100 dias no poder num país duramente afetado pela criminalidade, e demonstrou a afinidade com Washington e com os líderes conservadores de países vizinhos, como a Argentina, Chile, Equador e Bolívia.

Keiko Fujimori, candidata pela quarta vez às eleições presidenciais, é apontada pelas sondagens como favorita na corrida, que conta com um número recorde de 35 candidatos, recolhendo cerca de 15% das intenções de voto.

Num contexto de rivalidade crescente entre os Estados Unidos e a China na América Latina, Keiko Fujimori declarou querer reforçar os laços com Washington.

"O meu papel, se for eleita presidente, será incentivar os Estados Unidos a envolverem-se novamente de forma mais ativa" na economia peruana, afirmou à AFP, acrescentando que pretende também "incentivar a Europa a ousar novamente atravessar o Atlântico para vir ao Peru".

O país andino é o segundo maior beneficiário dos investimentos chineses na América Latina, atrás do Brasil, com, pelo menos, 29 mil milhões de dólares (24,7 mil milhões de euros) investidos entre 2005 e 2025, de acordo com o China Global Investment Tracker.

"A América Latina está a orientar-se para uma corrente que dá prioridade à liberdade, aos investimentos e ao restabelecimento do controlo e da segurança", afirmou a candidata a propósito da chegada ao poder de líderes de direita como Javier Milei na Argentina, José Antonio Kast no Chile, Rodrigo Paz na Bolívia e Daniel Noboa no Equador.

"Faltam apenas a Colômbia e o Peru", sublinhou ainda, afirmando esperar, enquanto presidente, integrar-se nesta dinâmica.

A filha do antigo presidente autocrático Alberto Fujimori (1990-2000) centrou a campanha na promessa de pôr fim ao aumento da criminalidade, principal preocupação dos peruanos, que Keiko associa à imigração irregular.

"Iremos expulsar os estrangeiros em situação irregular", assegurou, prometendo também enviar o exército para as prisões e reformar profundamente o sistema judicial.

"Comprometo-me a restabelecer a ordem no Peru e iremos solicitar poderes ao Congresso para que as forças armadas nos ajudem a controlar as prisões", indicou.

No que diz respeito à questão migratória, defendeu a criação de um "corredor humanitário", para permitir o regresso dos migrantes em situação irregular, nomeadamente venezuelanos.

Keiko Fujimori prometeu ainda um reforço do controlo das fronteiras e o restabelecimento dos "juízes sem rosto", magistrados anónimos utilizados durante o regime do pai, uma prática controversa.

Ao longo de toda a campanha, a política não hesitou em invocar a memória. Apesar da condenação a 25 anos de prisão por corrupção e crimes contra a humanidade, Alberto Fujimori, falecido em 2024, continua a ser creditado por parte da população por ter derrotado a guerrilha do Sendero Luminoso (1980-2000) e posto fim à hiperinflação.

De acordo com as últimas sondagens, Keiko Fujimori é seguida de perto nas intenções de voto pelo humorista de discurso radical Carlos Alvarez, pelo ultraconservador Rafael Lopez Aliaga, pelo centrista Ricardo Belmont e pelo candidato de esquerda Roberto Sanchez.

O país andino atravessa uma profunda crise política, com oito presidentes em dez anos, dos quais quatro foram destituídos pelo Parlamento e outros dois forçados a demitir-se.

Os peruanos irão também eleger no domingo os representantes no Parlamento, no âmbito do restabelecimento de um sistema bicameral, uma novidade desde os anos 90.

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