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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Keir Starmer assegurará as funções até que haja um sucessor

Andy Burnham vai avançar com a sua candidatura à liderança do Partido Trabalhista.

23 de junho de 2026 às 01:30
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Keir Starmer emociona-se ao anunciar a demissão do cargo de primeiro-ministro do Reino Unido

AP

O primeiro-ministro britânico demitiu-se ontem, como já estava previsto. A demissão de Keir Starmer aconteceu menos de dois anos depois de ter conduzido o Partido Trabalhista a uma vitória histórica nas eleições gerais de 2024. Num discurso emocionado à porta da residência oficial em Downing Street, Starmer afirmou que ouviu “a mensagem” transmitida pelos deputados do seu partido e que aceita a decisão “de bom grado”. O líder trabalhista permanecerá no cargo a título interino até ser escolhido um sucessor. “Permanecerei no cargo de primeiro-ministro até que a disputa esteja concluída e farei tudo o que estiver ao meu alcance para garantir uma transição de poder ordeira”, declarou. Starmer disse ainda que herdou um Partido Trabalhista “politicamente, financeiramente e moralmente falido” e que ouviu diversas vezes que o partido estava acabado, mas que se orgulha de ter renovado e mudado o partido. Ao lado da mulher, disse que por agora pretende dedicar-se ao “cargo mais importante: ser um melhor pai e melhor marido”.

A reação internacional foi marcada por elogios. “A segurança europeia e ucraniana é hoje mais forte graças a si”, escreveu a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Também o Presidente ucraniano deixou um agradecimento. “Keir, obrigado por toda a nossa cooperação, pelo apoio e pelas decisões conjuntas”, escreveu Zelensky.

Entretanto, o antigo presidente da Câmara de Grande Manchester e atual favorito para assumir a liderança trabalhista Andy Burnham confirmou a sua candidatura à sucessão. “O Keir prestou um enorme serviço ao nosso país e quero agradecer-lhe pela sua liderança e dedicação durante um período tão difícil”, escreveu no X.

Wes Streeting, antigo ministro da Saúde e potencial rival na corrida à liderança, anunciou que não concorrerá e apelou à união do partido em torno de Burnham, numa decisão que poderá evitar uma disputa prolongada. Caso nenhum adversário reúna apoio suficiente para forçar uma eleição interna competitiva, Burnham poderá assumir a chefia do Governo já nas próximas semanas. Por sua vez, o líder do Partido Reformista exigiu a realização de eleições legislativas. “A reforma exige eleições, e estamos prontos para promover uma mudança radical. Se o Partido Trabalhista pensa que pode enfiar mais um político profissional no n.º 10, vai ter uma surpresa”, escreveu Nigel Farage.

‘Rei do Norte’, a nova esperança do Partido Trabalhista

Deputado desde 2001, Andy Burnham, de 56 anos, ocupou vários cargos nos Governos de Tony Blair e Gordon Brown, incluindo as pastas da Saúde e da Cultura. Conhecido como o ‘Rei do Norte’, tornou-se o principal rosto político do Norte de Inglaterra, sobretudo enquanto presidente da Câmara da Grande Manchester desde 2017. Ganhou notoriedade pela defesa da descentralização e dos serviços públicos. 

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