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Líderes da UE tentam hoje enviar sinal de unidade face a ameaças dos EUA sobre a Gronelândia

Luís Montenegro vai marcar presença no encontro que se realiza pelas 19h00 locais.

22 de janeiro de 2026 às 07:17

Os líderes da União Europeia reúnem-se esta quinta-feira numa cimeira extraordinária em Bruxelas para discutir as relações transatlânticas após ameaças dos Estados Unidos, entretanto retiradas, de impor tarifas a países que se opõem às intenções norte-americanas sobre a Gronelândia.

No encontro de alto nível que arranca pelas 19h00 locais (18h00 em Lisboa), os chefes de Governo e de Estado dos 27 do bloco europeu -- incluindo o português, Luís Montenegro -- vão tentar enviar um sinal político forte de unidade, sublinhando que a soberania territorial e a lei internacional são princípios fundamentais da política externa da UE, face às intimidações sobre a Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca.

No passado fim de semana, o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou tarifas (de 10% em fevereiro e de 25% em junho) sobre oito países europeus, entre os quais seis Estados-membros da UE (Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia) e dois outros (Noruega e Reino Unido).

Porém, já esta quarta-feira à noite, Trump recuou, ao anunciar um acordo com o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), Mark Rutte, sobre a Gronelândia, e a suspender a ameaça de tarifas.

Ainda assim, será realizada na capital belga a cimeira extraordinária convocada pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, para debater as tensões transatlânticas.

Aquando da marcação do encontro de alto nível, o antigo primeiro-ministro português salientou a unidade entre os chefes de Governo e de Estado da União no apoio à Dinamarca e à Gronelândia e a "disponibilidade para defesa contra qualquer forma de coação".

A UE tem vindo a afirmar que, caso os avisos norte-americanos se concretizem, tem todos os instrumentos sobre a mesa.

Em concreto, os os países da UE podem avançar com tarifas retaliatórias contra os Estados Unidos no valor de cerca de 93 mil milhões de euros (direitos aduaneiros sobre a importação de produtos norte-americanos como whisky e manteiga de amendoim que estão suspensos até fevereiro) ou com a utilização do novo instrumento anti-coerção do bloco comunitário, já apelidado de 'bazuca' comercial com limites às trocas comerciais ou aos investimentos.

No verão passado, as tensões comerciais entre Bruxelas e Washington foram sanadas através de um acordo comercial para direitos aduaneiros de 15% por parte dos Estados Unidos.

A UE poderia, também, limitar este acordo, que prevê avultados investimentos europeus na energia norte-americana, mas os efeitos nunca seriam imediatos, dando tempo para mediação diplomática.

É precisamente na via diplomática que o bloco comunitário está a apostar, tendo os líderes das instituições da UE vindo a apelar a um diálogo construtivo com os Estados Unidos e à cooperação entre ambos os parceiros transatlânticos em questões como a segurança do Ártico.

Donald Trump insiste há meses que os Estados Unidos devem controlar a Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca e membro da NATO, que possui recursos minerais significativos, a maioria dos quais ainda inexplorados, além de uma localização estratégica.

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