Cantora pede mais regulamentação que proteja os artistas, depois de a própria ter sido vítima de uma apropriação.
A cantora brasileira Luísa Sonza considera preocupante a forma "desenfreada" como está a ser usada a Inteligência Artificial (IA), pedindo mais regulamentação que proteja os artistas, depois de ela própria ter sido vítima de uma apropriação.
"Obviamente, é preciso rever leis. Está muito desenfreada, eu acho isso muito preocupante, e acho que é preciso mudanças, um foco. Mas eu tento não ficar muito frustrada, penso mais na solução", explica a artista, de 27 anos, em entrevista à agência Lusa, no Porto.
"Sina de Ofélia", uma canção criada por IA a partir da original "The Fate of Ophelia", da norte-americana Taylor Swift, reimagina o tema como se fosse cantado por Sonza e Dilsinho, numa versão que rapidamente se tornou viral e acumulou milhões de 'streams'.
A versão, que entrou no 'top 50' do Brasil no Spotify, foi banida das tabelas em Portugal pela Associação Fonográfica Portuguesa, no início do ano, e o tema da apropriação vocal, bem como da canção original, tem sido levantado.
"Há um lado em que acho engraçado, porque fiquei dois anos sem lançar música e aí aparece uma IA, e o povo a pedir para cantar uma música com a qual não tenho absolutamente nada a ver, e ainda os 'haters', às vezes, a deitar a culpa na gente", lamenta.
Quando descobriu o tema, já tinha "viralizado", e apesar de ter brincado com a música, na rede social TikTok, sentiu que "era vítima e não sabia", até porque achar que era "brincadeira de fã" e não algo criado por IA.
"Ao mesmo tempo que há coisas que podem ser vistas como engraçadas, não levando tanto no lado pesado, por outro lado tem de ser visto seriamente, como vamos lidar com o futuro da IA e desse descontrolo, que pode prejudicar áreas muito sérias, como política, imagem das pessoas, direitos autorais, direitos de imagem e voz. Isso tem de ser obviamente regulamentado", afirma.
Para a artista brasileira, o importante é que "não fique ruim para nenhum lado", lembrando que o caso é negativo também para Taylor Swift.
"Eu, que sou eu, sei que eu não soaria assim. (...) Acho que tem de existir regulamentação, mas ao mesmo tempo sou muito carente e adoro quando alguém me dá um carinhozinho e diz assim: 'Nossa, estava com saudade de você'", brinca.
Luísa Sonza nasceu em 1998 no estado do Rio Grande do Sul, tendo lançado dois álbuns, já este ano - "Bossa Sempre Nova" e "Brutal Paraíso" -, numa fase de consolidação internacional da carreira, incluindo uma atuação no festival Coachella, na Califórnia.
Começou numa banda de eventos, depois celebrizou-se com versões de outras canções, através do YouTube, e nos últimos anos tem dominado as tabelas dos discos mais ouvidos no Brasil e em outros países.
"Escândalo Íntimo", lançado em 2023, conta com participações de nomes como Demi Lovato, Caetano Veloso e Marina Sena, entre outros, e teve a melhor estreia de sempre de um disco no Spotify Brasil, com 15,6 milhões de audições nas primeiras 24 horas.
Foi, então, a 18.ª artista mais ouvida do mundo e essa estreia foi também a mais forte de um álbum brasileiro em Portugal, tendo estado no primeiro lugar da Apple Music no Brasil, Portugal e Cabo Verde.
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